POV: LORENZO FERRARO
O meu controle foi testado no limite máximo. Eu tentei desviar o olhar, tentei focar apenas na porra da água quente que caía, mas foi impossível não olhar para ela. Passei os olhos pelo corpo dela, mapeando cada curva com uma lentidão que incendiou o meu sangue. Ela não era magra; tinha um corpo fofo, perfeitamente desenhado, com os seios não muito grandes, mas fartos o suficiente para preencher as minhas mãos, ostentando os bicos rosados e rígidos pelo frio da madrugada. Mas o que realmente travou a minha respiração foi olhar mais para baixo.
Sob a luz forte do banheiro, o contraste ficou evidente. Entre as coxas dela, havia uma pequena faixa de pelos ruivos perfeitamente visíveis, revelando a verdadeira cor que ela tentava esconder sob a tinta preta do cabelo. Era verdade. O que os desgraçados do cortiço disseram antes de morrer era real. A minha mente estalou ao ligar os pontos.
Um sorriso involuntário de canto de boca surgiu nos meus lábios antes que eu pudesse conter. A Siena percebeu o meu olhar fixo e o meu meio sorriso, e o rosto dela ganhou um tom vermelho de vergonha instantâneo.
— Desculpe... — pedi imediatamente, limpando a garganta e erguendo os olhos para o rosto dela. Senti-me um completo imbecil por ficar excitado em um momento daqueles. Mas era inevitável; o meu coração acelerou contra as costelas e o meu corpo reagiu à nudez dela com uma força brutal. Eu não devia estar pensando aquilo, não devia cobiçá-la no estado em que ela estava, mas ela era linda demais.
— Não tem problema... — ela murmurou, aceitando as minhas desculpas com a voz mansa, sem me recriminar, para a minha total surpresa.
Estendi a mão para ela. Siena segurou os meus dedos com os seus dedos trêmulos e entrou na água quente da banheira, soltando um suspiro longo quando o calor atingiu a sua pele.
— Eu vou esperar lá fora para te dar privacidade — avisei, limpando a garganta e fazendo menção de me levantar.
Antes que eu pudesse subir os joelhos, os dedos dela apertaram o meu pulso com força, me impedindo de sair. Ela me encarou com os olhos arregalados, brilhantes e úmidos.
— Não! Fique aqui... Por favor, não me deixa sozinha — ela suplicou, a voz num fio desesperado.
E ali, o resto do meu controle foi direto para as cucuias. O meu pau se contorceu dentro da roupa com o aperto da mão dela, mas eu apenas forcei as minhas barreiras e sorri de canto.
— Como você quiser.
Ajoelhei-me bem atrás da cabeceira da banheira e puxei o frasco de xampu. Comecei a lavar o cabelo dela com uma delicadeza que eu nem sabia que as minhas mãos calejadas possuíam. Massageei o couro cabeludo dela devagar, tirando os resquícios e o cheiro daquele cortiço imundo da pele dela, tomando o máximo de cuidado para não deixar o xampu cair dentro de seus olhos. Com os polegares, limpei as lágrimas que teimavam em escorrer pelo rosto dela quando me coloquei ao seu lado para lavar o seu pescoço, vendo o choro se misturar à água do banho.
— Você está segura aqui, Siena — sussurrei perto do ouvido dela, sentindo o calor do corpo dela subir com o vapor. — A culpa não foi sua, tirou isso da sua cabeça. Você não tem culpa de nada. Só descanse.
Ela apenas assentiu, fechando os olhos e se entregando ao meu cuidado. Desci as mãos e lavei os braços dela devagar. Quando cheguei perto do seu tronco, ela não recuou; apenas levantou os braços lentamente, me dando permissão para tocá-la.
Caralho...........
Passei as mãos por seus seios rapidamente, o meu toque travando quando notei que um deles ainda estava vermelho, marcado pelo lugar onde um daqueles vermes a tinha machucado com força. O ódio voltou a queimar o meu estômago. Tentei desviar os meus pensamentos da carne dela, mas a cabeça do meu pau não entendeu a gravidade da situação e continuou pulsando contra o tecido da calça. Terminei de lavá-la o mais rápido possível. Ela mesma lavou suas pernas e as suas partes íntimas — graças a Deus, porque se não fosse isso, eu não teria me controlado e seria a porra de um babaca. E eu estava tentando ser tudo naquela noite, menos um babaca com ela.
Depois que terminei de ajudá-la com o banho, levantei-me com as articulações rígidas e peguei o roupão felpudo que estava no suporte. Siena ficou em pé na minha frente dentro da banheira, a água escorrendo pelo corpo nu, e o meu cérebro martelou mais uma vez o quanto aquela mulher era absurdamente bonita e natural, sem exageros.
Olhando para ela ali, o meu peito apertou com perguntas que eu não sabia responder. Quem a teve em sua cama antes de mim, como diabos conseguiu deixá-la ir? Isso eu me perguntava, sentindo uma pontada incômoda de posse. Quem era ela de verdade? Qual era o seu passado, o seu presente, se ela tinha família ou se estava totalmente sozinha no mundo? Será que ela já tinha partido o coração de alguém, ou tinha sido o dela que acabou partido por algum desgraçado? Eram dúvidas que eu sabia que me martelariam pelos próximos dias.
Envolvi o corpo dela no roupão, cobrindo-a por completo. Antes de puxar o tecido para fechar o nó na cintura, encarei os olhos escuros e profundos dela e soltei a pergunta que estava me corroendo desde o momento em que pisei naquele cortiço:
— Um dia você vai me contar por que pintou os seus cabelos de preto, Siena?
Ela me olhou no fundo dos olhos, sustentando o olhar por longos segundos, desarmada. Então, curvou os lábios em um simples sorriso antes de responder:

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