⚠️ RECADO IMPORTANTE DA AUTORA: ATIVEM O MODO SHERLOCK HOLMES! 🕵️♀️🔍🔥
Meus amores, segurem os corações! A partir de agora, nós vamos descobrir tudo o que está acontecendo diretamente pelo ponto de vista da Alessia Lombardi!
E eu já deixo o aviso: esses serão alguns dos últimos capítulos focados na Alessia por um tempo, então preparem-se para uma avalanche de emoções e sentimentos à flor da pele!
POV: ALESSIA LOMBARDI
Como uma pessoa deveria se sentir ao retornar para casa depois de passar meses longe de tudo o que conhece? O que a mente deve processar? Que tipo de expectativa o coração deve nutrir?
Eu não fazia a menor ideia das respostas. A verdade era que eu sentia como se estivesse morrendo, ou como se já estivesse morta e tivesse apenas esquecido de parar de respirar. O mundo ao meu redor parecia girar em um borrão cinzento, as vozes eram abafadas e os rostos não passavam de vultos sem nitidez. Eu não sentia fome, não sentia sede, não tinha sequer vontade de ir ao banheiro. As minhas funções vitais pareciam ter entrado em um estado de congelamento absoluto desde o milésimo de segundo em que os meus pés deixaram aquela mansão em Palermo.
O trajeto inteiro foi uma grande confusão mental. A Sicília era uma ilha, e para me tirar de lá e me esconder do resto do mundo, o meu pai precisou traçar uma rota complexa. Lembro-me vagamente de sermos escoltados até a pista de um aeroporto particular, do ronco ensurdecedor dos motores de um jato executivo e, mais tarde, do som ritmado das hélices de um helicóptero cortando o ar antes de finalmente entrarmos em um carro blindado com os vidros totalmente escuros.
A vida parecia estar passando ao meu redor em alta velocidade, mas eu estava estagnada. Eu não conseguia ver nada, não conseguia ouvir nada e não entendia porra nenhuma do que estava acontecendo. Não sabia quantas horas tinham se passado, se era dia ou se era noite. Eu estava cega, afogada em uma agonia que queimava o meu peito de um jeito que eu nunca tinha experimentado na vida.
Escondi o rosto no colo do meu pai durante quase toda a viagem por terra. Chorei tanto, mas tanto, que o tecido da calça dele ficou completamente empapado com o meu desespero. Eu nunca tinha chegado a chorar daquele jeito em toda a minha existência. Os meus soluços eram altos, rasgados, assustando até a mim mesma. Mas o meu pai não me recriminou; ele apenas manteve a mão pesada e protetora acariciando os meus cabelos, deixando que eu colocasse tudo para fora.
O pior de tudo — o segredo mais vergonhoso, doentio e dilacerante que eu guardava trancado a sete chaves na minha mente — era o motivo daquelas lágrimas. Eu não estava chorando de alívio por ter sido resgatada das garras da máfia Ferraro. Eu estava chorando porque, no fundo da minha alma quebrada, eu não queria ter sido levada embora. Eu não queria ter deixado os braços do meu captor.
Quando o carro finalmente parou e o silêncio se instalou, percebi que estávamos em uma fazenda totalmente isolada. Era madrugada e eu não conseguia assimilar completamente o cenário. Era um refúgio imenso, cercado por uma vegetação densa e um vazio absoluto, um lugar estrategicamente escolhido para me manter longe das garras e dos olhos da organização. O meu pai desligou o motor, virou-se para mim e segurou o meu rosto entre as suas mãos com uma ternura que quase me fez desabar novamente.
— Vai ficar tudo bem, minha filha. Escute o que eu estou te dizendo — ele sussurrou, limpando o rastro de lágrimas das minhas bochechas com os polegares. — Você ainda tem muito valor para mim, Alessia. Você é a minha menininha. Eu vou cuidar de você. Eu prometo.
Eu apenas o encarei, com os lábios trêmulos, sem conseguir proferir uma única palavra.
— Eu ainda não sei exatamente o que está acontecendo nos bastidores com essa questão do mercado negro e nem o motivo real dessas pessoas estarem de olho em você — ele continuou, o semblante carregado de uma preocupação genuína. — Mas eu fez um acordo de cavalheiros com o Dominic Ferraro. Em troca da sua integridade, ele me deu a sua palavra de que não vai tentar me matar, e eu garanti que vou te manter em total segurança e isolamento aqui.
Eu assenti timidamente, sentindo o peso daquela promessa. Ele mencionou o toque final daquele acordo macabro de proteção: o Dominic não tinha me deixado partir totalmente sozinha. Ele enviou o Jonas, um dos seus homens de maior confiança, para servir como o meu guarda-costas pessoal naquela fazenda. Um soldado que eu já tinha visto antes, mas com quem nunca havia conversado.

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