POV: ALESSIA LOMBARDI
O momento da despedida da Heloíse na mansão apertou o meu peito de um jeito bom, trazendo um rastro de esperança no meio de tanta podridão. Puxei-a para um último abraço rápido antes de os guardas começarem a carregar os carros para o aeroporto.
— Se cuida, por favor — sussurrei perto do ouvido dela, segurando os ombros dela com carinho. — E cuida bem desse milagre. Eu estou louca para conhecer o seu bebê quando tudo isso acabar.
Heloíse sorriu de um jeito terno, limpando uma lágrima rápida, e assentiu. Aquele segredo compartilhado nos uniu ainda mais. Mas o tempo na máfia corre contra nós. Minutos depois, eu já estava dentro do jato privado do Killian Moretti, cruzando o oceano em direção ao território mais perigoso do mundo.
A viagem inteira foi um teste de resistência para o meu sistema nervoso. O Jonas permaneceu na poltrona da frente, vigilante e sério, cumprindo o papel dele de me escoltar com segurança. Eu não conseguia parar quieta. Olhava pela janela do avião e sentia um frio absurdo na barriga, uma ansiedade violenta que fazia o meu estômago dar voltas. Meus pelos do corpo arrepiaram por inteiro só de pensar que, em algumas horas, eu pousaria na Itália. Eu respiraria o mesmo ar que o Dominic. Minha mente viajava alto, imaginando que o Killian me levaria para alguma mansão segura da organização, ou que eu teria a chance de olhar para o Dominic antes de os combates começarem.
Eu estava terrivelmente enganada.
Assim que o jato pousou em solo italiano, fomos cercados por uma escolta pesada e levados direto para um hotel de segurança máxima na cidade onde o evento aconteceria. Mas, em vez de me dar qualquer liberdade, o Killian Moretti abriu a porta de um dos quartos e apontou para o interior do ambiente com a sua típica frieza cirúrgica.
— Você vai ficar aqui, Alessia — Killian ditou, a voz saindo baixa e desprovida de qualquer emoção. — E só sai desse quarto se o Dominic Ferraro ganhar o Conclave.
O chão sumiu sob os meus pés. Dei um passo à frente, a aflição esmagando o meu peito de forma sufocante.
— O quê? Você está me trancando aqui dentro? — perguntei, sentindo as lágrimas de frustração queimarem os meus olhos. — Eu mudei toda a minha vida, aceitei as condições absurdas do meu pai e cruzei o mundo para ver o Conclave! Eu estou tão perto do Dominic, a poucos quilômetros dele, e você vai me deixar presa como um bicho?
— Você vale três bilhões de euros para o mercado, Alessia. Não seja ingênua — Killian rebateu, dando um passo na minha direção e sustentando o olhar com rigidez. — A Itália inteira está infestada de inimigos, assassinos e homens armados até os dentes querendo uma brecha para destruir as nossas linhagens. Se o Dominic perder a última luta na arena, você não vai ser ninguém e não vai ter ninguém para te proteger do lado de fora. Você vira fumaça em minutos. Quem pode garantir a sua vida é ele, vencendo os outros capos.
Engoli em seco, o argumento dele batendo com uma força brutal na minha realidade. Ele tinha razão. Naquele tabuleiro cruel, eu era o prêmio e o alvo mais vulnerável.
— Eu prometi que você assistiria, e você vai assistir — o Capo Supremo continuou, apontando para as paredes do quarto, onde os soldados já terminavam de instalar várias televisões modernas. — Essas telas estão conectadas ao canal privado, fechado e criptografado da organização. Você vai ver cada segundo dos combates por aqui, em segurança. E eu te dou a minha palavra de homem: no dia da coroação, se o Dominic estiver vivo e no topo do mundo, eu mesmo venho te buscar e te levo até ele. Até lá, você não pisa fora deste quarto.


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