POV: ALESSIA LOMBARDI
Quatro paredes de luxo podem se transformar na cela mais violenta do mundo quando a vida do homem que você ama está sendo triturada em uma tela de alta definição. Eu passei as últimas setenta e duas horas com os olhos cravados naqueles monitores eletrônicos, sentindo a minha sanidade ser arrancada pedaço por pedaço. Eu não conseguia comer, não conseguia respirar direito e o meu estômago tinha se transformado em um poço de nós e queimação ácida.
O nervosismo era tanto que, por duas vezes, precisei correr em direção ao banheiro da suíte, caindo de joelhos no chão para vomitar apenas bile amarga, com o corpo inteiro tremendo pelo pavor de ver o Dominic morrer diante dos meus olhos.
Foi um massacre em etapas. Na primeira prova, quando vi aqueles oito homens da aliança covarde cercarem o Dominic no chão de terra, chutando o rosto dele e cobrindo o seu corpo de sangue, o meu coração parou.
Eu gritei contra o vidro da televisão, esmurrando a tela como se pudesse protegê-lo. Na segunda prova, o Teste de Resistência nos tanques, a tortura foi ainda pior. Ver a água salgada subir pelo pescoço dele e o gás cinzento preencher o vidro blindado me fez hiperventilar.
Eu arranhei as minhas próprias unhas na parede, sentindo os meus pulmões arderem em simpatia ao sofrimento dele. Quando ele submergiu no escuro para puxar aquela alavanca, machucando a própria mão no ferro para salvar os soldados, eu desabei no tapete da sala, chorando em soluços desesperados e aliviados.
No meio daquele inferno, a lembrança da Heloíse e do nosso abraço de despedida no Brasil voltou como um sopro de dor no meu peito. Eu desejei tanto que ela ficasse bem, que o bebê dela crescesse longe de todo esse sangue. E a inveja boa da fertilidade da minha amiga cutucou a minha ferida mais profunda. Deus, como eu queria aquilo também... No fundo da minha alma, eu desejava desesperadamente carregar um filho do Dominic.
Casar com ele, ser dele, ser mãe de um filho dele. Será que a minha genética tinha vindo com defeito e eu nunca seria capaz de dar um herdeiro ao homem que mandaria na Sicília?
Não existe se. Ele vai ganhar! Ele precisa ganhar.
A minha mente ainda tentava processar a discussão violenta que eu tinha tido com o Killian Moretti na noite anterior. Lembrei de quando tentei forçar a passagem pela porta e os cinco guardas me travaram. Quando o Capo Supremo entrou na suíte, com aquela pose de robô intocável, eu agarrei o terno dele e implorei por respostas. Ele não suavizou o golpe. Disse que o Dominic estava remendado, costurado e fodido no hospital do porto. E jogou a realidade mais cruel na minha mesa:
— Você vale três bilhões, Alessia. É a isca perfeita e o troféu que qualquer organização inimiga mais quer. Você não vai para a La Inferno na final. Se o Dominic morrer na quadra industrial, uma guerra civil explode, e eu preciso manter sua cabeça sob seu pescoço. Você fica aqui.
Ele me obrigou a beber uma dose de uísque que me fez apagar horas depois, me forçando a um descanso que o meu cérebro rejeitava.
Eu assisti a tudo pela visão térmica. O galpão foi tomado pela fumaça preta e os homens viraram espectros vermelhos no escuro. Vi quando o Marlon caiu e foi executado sem piedade. Vi o Pink e o Pitbull serem nocauteados. O Dominic estava cercado, perdido na cegueira tática daquele breu químico, prestes a ser massacrado pelos sobreviventes de Roma e do Piemonte. Meu peito subia e descia em um pânico tão paralisante que achei que ia enfartar ali mesmo no sofá.

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