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Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE romance Capítulo 215

POV: ALESSIA LOMBARDI

Eu não sabia quanto tempo tinha se passado desde o momento em que joguei o meu corpo contra o do Dominic no centro daquele ringue. O mundo ao redor tinha virado um borrão cinzento de gritos e passos apressados. Minhas mãos continuavam espalmadas no peito dele, sentindo o calor absurdo e a viscosidade do sangue que encharcava o tecido do meu vestido claro. Eu sentia os dedos enfaixados dele cravados com uma força possessiva na minha cintura, segurando-me como se a minha presença fosse a única coisa mantendo a sua alma presa à carne.

O Dominic estava semidestruído, com o olho inchado e as costelas estalando a cada respiração rascante, mas os olhos bicolores dele continuavam fixos na minha boca, travando uma batalha hercúlea contra o apagão. Eu limpei o excesso de vermelho da testa dele com os meus dedos trêmulos, chorando em silêncio, sentindo o pavor e o alívio colidirem no meu peito. Eu estava ali. Ele tinha vencido.

A realidade voltou com um tranco quando a equipe médica da Sicília invadiu o tatame emborrachado com uma maca de metal. O Dominic rosnou, um som animal e perigoso que vibrou contra o meu peito, recusando-se a afastar as mãos da minha cintura. O Lorenzo precisou intervir, segurando os ombros do irmão com força e gesticulando com pressa enquanto os soldados da Fronteira de Ferro explodiam em comemoração ao redor. Vi homens feitos chorando de alívio, enquanto o bloco dos clãs derrotados exibia um cenário de devastação completa. Soldados de Roma e do Piemonte caíam de joelhos na lama do ringue, com as mãos na cabeça, engolindo o peso do fracasso absoluto.

Só quando o Lorenzo garantiu que ninguém me tiraria dali é que o Dominic cedeu milímetros, permitindo que os paramédicos o erguessem para a maca. Eu não soltei a mão dele. Caminhei colada à estrutura até a raia do ringue, mas o movimento parou de repente. O Conclave tinha terminado na porrada, mas a geopolítica do país estava prestes a ser redefinida diante dos meus olhos.

Um soldado remanescente da Cosa Nostra, com o braço quebrado e os dentes sujos de sangue, tentou começar uma rebelião no canto da pista. Ele começou a gritar no meio do ringue, berrando para todo mundo que não ia aceitar a Sicília no topo de jeito nenhum. Os poucos sobreviventes ao redor se agitaram na hora, os homens se encarando prontos para partir para a porrada geral ali mesmo.

O Lorenzo agiu rápido para conter o início da briga. Ele saltou a grade do mezanino, desceu os degraus correndo e parou bem na raia do ringue, encarando a multidão com autoridade. O Ethan e o Killian Moretti desceram logo atrás, mantendo os olhos grudados em cada movimento suspeito daquela gente. A postura do Ethan era pura pedra, a mão colada na linha da cintura, vigiando o perímetro com uma frieza que congelava o ambiente.

— A SICÍLIA GANHOU ESSA PORRA! — o Lorenzo gritou, a voz saindo rouca, mas firme o suficiente para fazer os homens pararem de se mover. — A PARTIR DE HOJE, CADA UM DE VOCÊS SE CURVA DIANTE DOS FERRARO. ACABOU A PALHAÇADA.

Era o fim de uma era. Um arco gigantesco de guerra, mortes e conspirações que tinha sangrado o país por meses estava se encerrando ali, naquele galpão industrial. Todas as bandeiras da Itália estavam prestes a se dobrar diante do homem deitado na maca ao meu lado.

Um dos capos derrotados, com o rosto cortado e a roupa rasgada, limpou o canto da boca com o braço e deu um passo à frente, com a respiração curta.

— E como fica o nosso lado? — ele perguntou, olhando para os lados. — Vão confiscar as nossas rotas? Vão mexer no nosso dinheiro?

— NINGUÉM VAI TOCAR NO DINHEIRO DE VOCÊS — o Lorenzo rebateu de imediato. — Os negócios comuns continuam comuns. Mas fiquem sabendo: tudo o que vocês forem fazer a partir de agora que envolva a Itália, passa pela nossa mesa primeiro. NÓS DAMOS A PALAVRA FINAL.

Lorenzo caminhou até a mesa auxiliar da pista, onde um soldado tinha colocado uma pasta de couro e um cálice de metal pesado. Ele abriu o papel sobre o cimento e encarou os seis representantes que restavam das outras famílias.

— Tem mais uma coisa — Lorenzo continuou, olhando para o Killian por um segundo antes de voltar para os derrotados. — A PARTIR DE HOJE, A LEI QUE IMPERA AQUI É A LEI DA L’ECLISSE. Vamos continuar caçando e matando cada desgraçado que se meter com tráfico de mulheres e exploração de crianças. Essa é a marca do Moretti, a nossa lei. Tudo volta para a massa dele. SE ALGUÉM QUEBRAR ESSA REGRA, NÃO VAI TER JULGAMENTO. VAI SER EXECUÇÃO.

O impacto daquelas palavras fez o meu estômago revirar de forma consciente. Eu olhei para o topo dos camarotes, percebendo que o Damon de Calábria já tinha sumido das sombras. A lista de suspeitos na minha mente era um pesadelo: os dois Ls misteriosos estavam na cidade operando o mercado negro e o tráfico humano debaixo do nariz da organização. Lucca Bellini tinha fugido após a traição. O Damon de Calábria tinha desaparecido. E o pior de tudo... O meu próprio pai, Leopoldo Lombardi, estava na Itália. O Kaun tinha me dito no táxi que veio junto com ele. Dois daqueles três homens eram os monstros por trás do comércio de vidas humanas, os cabeças que os Ferraro e os Moretti tinham acabado de jurar caçar até a morte.

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