POV: DOMINIC FERRARO
Minha visão estava embaçada demais para ver a cor dos olhos dela, mas eu conhecia aquela estrutura. Meu coração falhou uma batida. Será que eu já morri? Será que estou indo para o céu? Pensei por um milésimo de segundo. Eu sabia que o meu destino era o inferno por todos os pecados que cometi, mas ela... Ela com certeza jamais pisaria no mundo dos mortos abaixo.
O Dorian continuou apertando a minha traqueia para exibir o meu fim.
— Olha ali... Olha ela ali — o Marx sibilou com a voz pastosa, o sangue escorrendo do seu queixo quebrado. — É a princesinha prateada... Ela é gostosa... Muito mais bonita pessoalmente do que nas fotos...
O meu estômago revirou enquanto o estrangulamento me sufocava. O Marx também estava vendo ela? Será que eu estava morrendo e o meu cérebro estava criando essa ilusão? O que estava acontecendo, porra?!
A névoa ao redor dos meus olhos começou a engolir o resto de luz que preenchia a boate. Tudo começou a sumir de vez. Curiosamente, um canto da minha boca se repuxou e eu dei uma risada fraca, quase imperceptível, sentindo o pouco ar rarefeito travar na minha garganta. Se aquela era de fato a hora da minha morte, eu estava tendo a melhor visão da minha vida inteira antes de partir. Era ela. Minha princesa prateada. O sopro de vida que justificava cada segundo desse calvário.
Através do borrão da minha consciência cega, vi a silhueta dela correr desesperada até a grade de proteção industrial. Ela bateu as mãos com força contra o metal, o desespero nítido nos seus gestos, mas eu não conseguia ouvir som algum. O silêncio absoluto do fim do mundo tinha se instalado dentro dos meus ouvidos. A imagem dela tentando alcançar o ringue começou a falhar, distorcendo-se até ela sumir completamente no meio do borrão escuro da multidão que cercava a arena.
Aceitei o destino. Curvei a cabeça e fechei os olhos de vez, sabendo que a minha hora tinha finalmente chegado. Me desculpa, Lorenzo. Me desculpa, Cássian. Me desculpa, Killian Moretti. Me desculpa, todos vocês que acreditaram em mi. Eu perdi. O escuro me abraçou, pesado e gélido, cobrando o preço do meu fracasso.
— Dominiccccc.
A voz dela não veio da minha mente. Ela ecoou de forma ensurdecedora pelos alto-falantes da La Inferno, um som de arrepiar que parou o coração de cada mafioso presente naquele galpão:
— Por favor, levanta daí! Levanta, Dominic! Levanta!!
Um choque elétrico de realidade atingiu a minha espinha. Eu não estava morrendo. Eu não estava no céu. A Alessia estava ali, bem ali, rasgando o inferno para me buscar, me dando a porra da força que eu precisava para destruir o mundo.
— Por favor! Por favor, Dominic, vença por mi!
O som das palavras dela derramou um misto de poder e insanidade nas minhas veias. O chamado dela operou um milagre profano no meu corpo mutilado. Toda a dor excruciante das costelas estilhaçadas sumiu em um piscar de olhos, engolida por uma dormência absoluta. O cansaço sumiu, evaporou, substituído por um calor absurdo que fez o meu sangue ferver.
O monstro dentro da minha carne quebrou todas as correntes imaginárias de uma vez só, como se eu fosse o próprio King Kong despertando da jaula. Urrei com uma fúria sobre-humana, ignorei a fraqueza e explodi os meus braços para cima, quebrando a chave de braço do Dorian na força bruta. Peguei o líder do Piemonte pelo pescoço, joguei o corpo dele para trás e desferi um soco direto com toda a minha massa bem no centro da traqueia do Marx, abrindo e partindo a boca do romano no meio com o impacto do meu punho.
— Isso é pelo o meu melhor amigo. Canário — sibilei, deixando o ódio guiar o meu braço.
Joguei o meu cotovelo direito para trás com força total, quebrando o nariz do Dorian com o impacto. Antes que ele se recuperasse, agarrei o braço dele, dei um tranco por cima do meu ombro e o joguei com violência contra o chão de cimento.
Avancei como um carrasco implacável, ergui a minha bota pesada e pisei com brutalidade máxima bem no centro do pescoço do Capo da Máfia Azus.
O osso da cervical dele se rompeu com um estalo definitivo que colocou fim ao torneio.
Meus joelhos fraquejaram imediatamente e eu desabei no chão emborrachado, arfando pesado, coberto de sangue da cabeça aos pés, com as costelas destruídas, mas como o único campeão legítimo daquela arena de sangue.
Antes que a plateia conseguisse esboçar qualquer reação, a corda do ringue foi empurrada e a Alessia invadiu o tatame. Ela correu na minha direção e jogou o seu corpo contra o meu, me envolvendo em um abraço apertado e desesperado. O cheiro doce e perfeitamente gostoso da pele dela invadiu as minhas narinas, afastando por completo o odor de morte do ringue. Ela começou a passar as suas mãos trêmulas pela minha cabeça, limpando o sangue da minha testa com os seus dedos macios. O toque dela era a única coisa real e terna que restava no mundo.
Apoiei o meu queixo no ombro dela, sentindo o calor do seu corpo contra o meu peito ferido, e sussurrei com a voz totalmente destruída:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Virgem Roubada pelo Mafioso Psicopata :CONTRATO DE SANGUE