POV/ Alessia
Saímos do quarto e o corredor da mansão parecia ainda mais opressor sob a luz crua do dia. Soldados da Fratellanza estavam estrategicamente espalhados como gárgulas armadas, vigiando cada centímetro do território de Dominic. Notei os olhares afiados que eles lançavam para o homem ao meu lado; o respeito ali era baseado em medo.
— Suas sombras vêm junto, Ferraro? você tem medo de que eu desapareça entre as árvores? — provoquei, apontando com a cabeça para os guardas.
Dominic nem sequer olhou para trás.
— Eu não preciso de babás para acompanhar você, principessa. Além do mais, se você tentasse correr, não saberia para onde ir.
Quando cruzamos a porta principal, o cenário me atingiu com força. Na noite em que cheguei, a mansão parecia apenas uma massa sombria de vidro e pedra, mas agora eu via a realidade. Era uma construção imponente onde a arquitetura moderna amarela e de vidro fundia-se a uma fazenda rústica de madeira escura uma fortaleza sólida que exalava poder e isolamento absoluto. Não havia outras casas, não havia estradas pavimentadas no horizonte, apenas uma imensidão verde e silenciosa que parecia pronta para engolir qualquer esperança de resgate.
— Quantos quilômetros você aguenta antes de desmoronar? — ele perguntou, começando um trote leve. Os músculos das suas costas se moviam com uma facilidade irritante sob a pele bronzeada.
— Geralmente corro quatro quilômetros. Eu ia à academia todos os dias antes de você transformar minha vida em um filme de terror — respondi, forçando meus pulmões a encontrarem o ritmo e emparelhando o passo com o dele.
— Quatro quilômetros? — Ele soltou uma risada seca que ecoou pelo pátio de pedras. — Isso é o que meu irmão caçula faz no aquecimento. Vamos ver se o seu treinamento de "princesa" serve para alguma coisa aqui fora.
Começamos a correr em direção à trilha que cortava a propriedade. Passamos por galpões de madeira e áreas de treinamento onde outros soldados paravam para observar. O deboche nos olhos deles era evidente; para eles, eu era apenas uma nifeta de luxo que o chefe resolveu levar para passear.
— Pelo menos me diga onde estamos — pedi, sentindo o ar puro da floresta queimar meus pulmões. — Ainda estamos na Itália?

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