POV/ Dominic
Aquelas palavras doeram mais do que qualquer tiro que já levei na vida. Tirei a mão do seu ombro, cobri a sua mão sobre a perna e a apertei com força.
— Está tudo bem, garoto. Você não é um monstro. Eu e o Enzo seremos monstros para que você não precise ser um. Mas a raiva... a raiva tem que ser sua ferramenta, não sua mestre. Se você deixar ela te controlar, você perde o jogo antes de começar.
Ele assentiu, puxando a mão e limpando uma lágrima rapidamente para que eu não visse qualquer traço de fraqueza. Eu suspirei e engatei a marcha.
— Vou te levar a um lugar agora. Mas escute bem: você não pode contar para o Lorenzo. Ele é racional demais, vai dizer que estou estragando você e vai virar uma fera comigo.
Cassian deu um meio sorriso.
— Nosso segredo?
— Nosso segredo.
Dirigi por um tempo até o nosso destino. Estacionei na frente do L’Inferno, o bar que era o pulmão financeiro da nossa operação na Sicília. Ali, o cheiro de suor e fumaça era o que mantinha o nome Ferraro no topo.
— Desce na frente, Cassian — ordenei, terminando de mandar uma mensagem para Lorenzo.
Meu irmão hesitou, ajeitando o capuz da blusa de frio sobre a cabeça. Ele caminhou até a entrada, onde dois seguranças que pareciam montanhas de músculos barravam a porta. Um deles esticou o braço, impedindo a passagem do garoto.
— Onde pensa que vai, moleque? Aqui não é...
Saí do carro, batendo a porta com um estrondo. O som foi o suficiente para o segurança travar. Quando meus olhos encontraram os dele, ele empalideceu instantaneamente, recolhendo o braço como se tivesse tocado em brasa.
— Ele está comigo — minha voz cortou o barulho da rua.
— P-perdão, Capo. Eu não vi que... — Ele abriu a porta rapidamente, curvando a cabeça.
Entramos. Uma névoa de cigarro cobria as luzes neon vermelhas. No centro, o balcão de carvalho estava lotado, e ao fundo, o som de carne batendo contra carne ecoava. Não era uma arena de gladiadores, era algo mais cru: um círculo de homens apostando em boxe sem luvas. Soldados resolvendo picuinhas ou apenas extravasando o sangue nos punhos.
Levei Cassian para uma mesa reservada no mezanino. Ele estava encolhido no casaco, com as mãos nos bolsos, olhando para as prostitutas e para os homens armados com uma mistura de fascínio e horror. Coloquei uma garrafa de grappa e dois copos na mesa com um baque seco.
— O que a gente está fazendo aqui, Dom? — ele perguntou, a voz sumindo no meio da música. — O Lorenzo vai me matar se souber que eu pisei aqui.

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