POV: DOMINIC FERRARO
Eu sempre fui o mestre do tabuleiro, calculando cada movimento com a precisão de um cirurgião e a frieza de um carrasco. Mas Alessia Lombardi não está se comportando como uma peça. Ela é um incêndio que eu mesmo ajudei a propagar, e o problema de brincar com o fogo é que, às vezes, ele queima onde você menos espera.
Tudo começou com aquele beijo. Um erro tático, eu diria. O gosto dela ficou impregnado na minha boca como uma toxina; um vício que eu não solicitei, mas que meu corpo parece reconhecer contra a minha vontade. Para manter minha sanidade e principalmente, minha virilha sob um controle rigoroso, tomei decisões drásticas antes de sair naquela manhã de segunda-feira.
Como estávamos organizando uma grande ação para o casamento, precisei retirar o máximo de soldados e deslocá-los para servirem aos Moretti. O sucesso do nosso plano para descobrir o infiltrado dependia de termos força total durante a festa, então a mansão ficou com o contingente mínimo.
Eu queria que Alessia circulasse, que baixasse a guarda e sentisse a ilusão de que a mansão era dela; uma presa solta no jardim é muito mais fácil de observar do que uma trancada em uma jaula. Escolhi o Canário para ser a sombra dela por um motivo puramente estratégico: eu precisava de um soldado cuja lealdade fosse inquestionável e cujo desejo não fosse despertado por mulheres.
Deixei poucos homens que formaria um anel de proteção externo e garantiria que ela não atravessasse a linha da floresta enquanto eu estivesse fora, resolvendo a logística da festa do casamento sangrento.
Passei os dias coordenando a remessa de armas para o sul, lidando com a operação de tráfico humano que deu errado e finalizando os detalhes do "presente" de casamento para o Moretti que seria um Iate luxuoso. Mandei meus melhores homens na frente para garantir que o território do evento estivesse limpo de qualquer surpresa dos Lombardi. O trabalho da máfia não para por causa de uma mulher, por mais que o cheiro dela insista em assombrar o estofado do meu carro.
Na terça-feira, quando retornei antes do almoço, o silêncio da mansão foi cortado por um som rítmico, seco e violento: couro sendo castigado. Eu a encontrei no meio da sala, desferindo golpes contra o saco de pancadas. Minha boca secou instantaneamente, mas não por admiração; foi o instinto de um predador vendo sua caça mostrar os dentes. Ver Alessia suada, com o top marcando os seios fartos e aquela legging desenhando cada centímetro das pernas grossas, era uma provocação que eu não estava disposto a ignorar. Pelo menos ia tentar até o momento certo.

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