POV/ Alessia
Cassian, como um pequeno cavalheiro me ajudou a descer e abriu a porta do quarto para mim. Eu observei Dominic de longe; o tom da conversa deles era diferente, mais baixo, mais urgente. Notei que não havia tantos guardas e o que me fez questionar. Onde estava o resto do exército dele?
Quando me aproximei do carro, a voz de um outro segurança cortou o som do motor.
— Perímetro verificado, Capo — lançando-me um olhar de curiosidade descarada. Seus olhos se detiveram no colar de prata em meu pescoço. — A segurança no salão está dobrada. Estamos preparados.
Ele desviou o olhar para mim demoradamente, um sorriso torto surgindo entre lábios antes de completar:
— Os aliados estão ansiosos para ver a... nova aquisição.
Dominic não sorriu. Ele apenas assentiu, flexionando o pomo de Adão de forma tensa enquanto me encarava nos olhos. Aquele brilho enigmático dele estava mais sombrio do que o normal.
Senti um calafrio subir pela minha espinha, mais frio que o vento daquela noite. Havia algo errado. Muito errado e martelava na minha cabeça como um aviso de perigo.
***
O trajeto de quarenta minutos foi mergulhado em um silêncio denso. No banco de trás, eu tentava manter uma conversa baixa com Cassian para distraí-lo, enquanto Dominic ocupava o banco da frente ao lado do motorista. Pelo retrovisor, eu sentia o olhar dele queimando em mim de vez em quando, mas nenhuma palavra foi dita.
Quando os portões da propriedade Moretti se abriram, o luxo foi acachapante. O jardim era imenso, maior que três campos de futebol, abrigando duas mansões e um salão de festas monumental que brilhava sob as luzes da Toscana como uma joia lapidada. O lugar transbordava gente rica e bonita, mas algo me deixou em alerta: não havia tantos seguranças uniformizados quanto eu imaginei. Apenas muitos homens em ternos impecáveis circulando. Outro detalhe me atingiu: quase não se viam famílias, crianças ou mulheres. Era um mar de testosterona e poder.
Assim que o carro parou e descemos, Dominic se aproximou. Sua mão pousou com firmeza no meu ombro e apertou um toque possessivo que enviou arrepios involuntários pela minha espinha. Ele se inclinou, sussurrando perto do meu ouvido:
— Se comporte. Não faça nenhuma gracinha.
Ele deu um passo à frente, parando na minha frente para me encarar nos olhos. A autoridade em seu rosto era absoluta.
— E fique exatamente onde eu possa te ver, Alessia.
Eu não respondi. Apenas mordi o lábio e desviei o olhar para a festa. O que eu poderia dizer? Eu era o troféu de guerra dele naquela noite. Ele me estudou dos pés a cabeça por mais um tempo, um olhar demorado que pareceu incendiar minha pele antes de soltar um comentário quase inaudível:
— A propósito... você está irritantemente linda.
Senti meu rosto esquentar. Antes que eu pudesse processar o elogio torto, ele se virou, avistando Lorenzo de longe. O irmão dele parecia tenso, conversando em segredo com um homem de cabelos pretos e olhos azuis vibrantes. Esse homem usava um terno roxo, destacando-se totalmente do padrão preto e azul da máfia. Seria ele o Moretti?
— Por que você trouxe o Cassian para um lugar assim? É perigoso demais — perguntei em voz baixa enquanto seguíamos em direção aos dois.

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