POV/ Alessia
Antes que eu pudesse questionar, uma mão pesada e fria pousou no meu ombro. Era Lorenzo. Ele não sorria. O olhar dele para o meu pai era de um desprezo profundo. Leopoldo endureceu a postura, assumindo uma máscara de falsa cordialidade.
— Lorenzo Ferraro — meu pai disse, tenso.
— Lombardi — Lorenzo respondeu, gélido. Olhou para mim e voltou para o meu pai. — Você queria uma prova de vida? Aqui está ela. Mais viva e deslumbrante do que nunca.
Lorenzo tirou um envelope pardo do paletó e o estendeu com um movimento lento.
— Aqui estão os termos atualizados. Nós ficamos com ela por mais um mês. Se as rotas forem liberadas e os pagamentos caírem sem atraso, talvez ela volte inteira. Caso contrário... bem, você sabe como os Ferraro resolvem pendências.
Meu pai pegou o envelope, as mãos tremendo levemente de fúria.
— Fique perto do Cassian, Alessia — Lorenzo ordenou, sem desviar os olhos do meu pai. — A festa está apenas começando, e eu odiaria que algo... "inesperado" acontecesse com você agora.
Ele me deu um leve empurrão em direção ao Cassian, deixando claro que o tempo de conversar com o meu pai acabou, e indicou com a mão o caminho para ele se retirar.
***
Depois que Lorenzo praticamente me expulsou da presença deles, o ar ao meu redor pareceu vibrar com uma tensão residual. Eu precisava de um momento; de um gole de qualquer coisa que tivesse álcool o suficiente para anestesiar a decepção que meu pai acabara de me causar.
Caminhei até uma das ilhas de mármore que serviam como bar. Notei várias pessoas cochichando, apontando discretamente como se eu fosse a atração principal de um circo macabro. O desconforto me fez lembrar do colar atípico no meu pescoço. Meus dedos roçaram o metal por instinto, e o toque frio do nome DOMINIC gravado ali me deu um sobressalto. Eu tinha passado tanto tempo focada em encontrar minha família que quase esqueci que estava ostentando minha marca de propriedade como um troféu de caça.
Peguei uma taça de cristal de uma bandeja que passava. Cheirei o líquido borbulhante: champanhe de safra cara. Dei um gole generoso, sentindo as bolhas pinicarem minha garganta. Dei outro logo em seguida até a taça esvaziar. Peguei mais uma e me virei para procurar Cassian.
O menino estava afundado em um sofá de veludo capitonê. A pequena arma que Dominic lhe dera estava escondida sob a aba do paletó, mas seus olhos castanhos estavam fixos, com uma vontade infantil, em uma bandeja de canapés que circulava. Aproximei-me e me sentei ao lado dele.
— Então, o seu irmão mais velho acha que te dar uma arma e te embebedar é o caminho para a maturidade? — perguntei, tentando soar casual, mas a curiosidade me corrói. — Não sabia que você já tinha ficado bêbado.
Cassian deu uma risadinha, os ombros relaxando. — Não fiquei bêbado. Mas tomei três doses de cachaça de uma vez.
Arquei a sobrancelha, confusa, e levei a mão ao peito em um gesto dramaticamente divertido. — Não acredito! Três doses?
— Foi quando fui suspenso da escola — ele admitiu, com um brilho de diversão no olhar. — Dom foi me buscar e, em vez de me bater ou gritar, ele me levou para um bar de soldados. Disse que, se eu queria agir como um idiota na escola, tinha que aprender a beber como um homem primeiro.
Balancei a cabeça, rindo sem querer. — Que péssimo exemplo. Ele é oficialmente o pior mentor que alguém poderia ter.
— Ele não é tão ruim assim — Cassian defendeu, ajeitando o terno com orgulho. — Ele só... faz as coisas do jeito dele.
— Bem, espero que você seja mais esperto que ele, já que minha vida agora depende de você — brinquei.
— Eu sou o seu guarda-costas oficial, não sou?
— É o que parece — terminei minha taça, sentindo o álcool começar a subir. — Você já atirou com essa coisa? — Apontei discretamente para o volume sob o paletó dele.

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