POV/ Alessia
Eu estava prestes a me levantar para ir até meu guarda-costas júnior e procurarmos Lorenzo eu precisava entender o que estava acontecendo , mas mãos estranhas tocaram meu ombro. Senti uma presença invasiva às minhas costas. Um perfume amadeirado forte, um Malbec agressivo, invadiu minhas narinas antes mesmo do homem abrir a boca.
— Uma princesa tão linda não deveria usar um colar como esse — a voz era arrastada, cheia de uma confiança que me deu náuseas.
Virei-me devagar. Ele era loiro, alto e de olhos escuros, vestindo um terno que gritava "dinheiro novo". Ele olhava para a minha coleira com uma mistura de luxúria e deboche que me fez querer esbofeteá-lo.
— Que tal uma dose e uma dança para ajudar a aliviar essa tensão, bella? — ele insistiu, sinalizando para o outro bartender me servir algo que eu não tinha pedido.
— Que tal você dar meia volta e fingir que eu não existo? — rebati. Minha voz saiu mais grossa e cortante do que eu pretendia. — Eu não bebo com desconhecidos e não danço com quem não sabe ler um aviso de "propriedade" quando o vê.
Ele riu, achando que minha repulsa era um convite. — Você é bem mais arisca do que dizem por aí. Vamos, beba. É por minha conta.
— Pensei que todos os drinks e comidas aqui fossem de graça — retruquei com desprezo.
Ele sorriu, sem graça por um segundo, mas insistiu: — Outro desse para a senhorita — disse ele, e o bartender estendeu o copo cheio na direção dele, que o empurrou para mim.
Olhei para o copo. Olhei para o segundo andar. Dominic ainda estava lá, imóvel como uma estátua de gelo, observando cada movimento. Eu não era um animal adestrado. Peguei o copo e virei de uma vez, sentindo o líquido queimar a garganta. Era algum tipo de Whisky, forte e seco; definitivamente não era o meu Martini.
— Obrigada. Agora pode ir — eu disse, sem sequer olhá-lo nos olhos.
— Ainda não, bella. — O homem loiro estendeu a mão para me guiar até a pista, mas antes que seus dedos tocassem minha pele, uma sombra maior e muito mais fria se projetou sobre nós.
— Estou atrapalhando alguma coisa? — a voz veio de trás.
O loiro empalideceu instantaneamente e deu dois passos para trás, quase tropeçando. Eu me virei com o coração martelando, esperando encontrar o "Capeta", mas dei de cara com o rosto familiar e aristocrático de Marcellos.
— Marcellos! — O nome saiu em um suspiro de alívio instintivo.
Sem pensar, eu me joguei nos braços dele. O abraço de Marcellos era seguro, cheirava a algo caro e estável, mas não tinha o calor abrasador que eu havia sentido nos últimos dias. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele segurou meu rosto com as mãos enluvadas e me puxou para um beijo.

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