POV/ Alessia
Em vez de recuar, eu fiz o impensável. Eu o beijei.
Invadi a boca dele para provar que eu não tinha medo do monstro. Minhas mãos envolveram seu pescoço, os dedos enterrando-se na nuca dele, forçando sua boca contra a minha com uma urgência que eu não sabia de onde vinha. Eu não queria um selinho; eu queria o domínio. Enfiei minha língua na dele, explorando cada canto com uma ousadia que o deixou estático.
Dominic congelou por um segundo, o choque paralisando seus músculos como se ele tivesse sido atingido por um raio. Mas eu não parei. Em um ímpeto de fúria e desejo, mordi o lábio inferior dele com força suficiente para sentir o gosto metálico do sangue invadir nossos sentidos. Ele resistiu, o corpo rígido como pedra sob minhas mãos, mas por um breve instante, senti seus lábios molhados cederem aos meus, devolvendo a pressão antes de recuperar a razão.
— Viu só? Você está perdendo o controle, Dominic. É ridículo ver o grande Capo tremendo porque uma prisioneira o tocou.
Ele me olhou como se quisesse me devorar ou me destruir ou talvez os dois.
— Durma, Alessia — ele sibilou, a voz trêmula de ódio contido. — Antes que eu decida te mostrar o que é um beijo de verdade, ao contrário daquele que seu noivo te deu.
Ele saiu do quarto batendo a porta com uma violência que fez os quadros nas paredes tremerem. Caminhei até a janela, encostando a testa no vidro frio. O que eu estou fazendo? Eu acabei de beijar o demônio que me mantém presa.
Ouvi o clique da maçaneta. A porta se abriu novamente.
Dominic. Ele não disse uma palavra, só atravessou o quarto com passadas predatórias. Ele não hesitou. Ele selou minha boca com a dele em um beijo que não tinha nada de gentil.
Ele era enorme. Com seu 1,90m, ele precisou inclinar a cabeça e curvar o corpo pesado sobre o meu, me fazendo sentir pequena e completamente dominada. Senti o gosto metálico de sangue dele misturado ao sabor amargo do whisky. Suas mãos grandes subiram pela minha nuca, os dedos se enroscando no meu cabelo prateado com uma urgência possessiva. Ele me apertou com tanta força que um gemido baixo escapou da minha garganta metade dor pelas costelas machucadas, metade um desejo que eu odiava sentir.
De repente, senti meus pés perderem o contato com o chão. Dominic me levantou sem esforço, suspendendo meu corpo contra o dele. Minhas pernas envolveram sua cintura instintivamente, e eu me agarrei aos seus ombros largos.
— Você me irrita — ele rosnou contra os meus lábios. — Você estraga tudo, Alessia. Cada plano, cada grama de ódio que eu cultivei por anos... você despedaça tudo quando me olha desse jeito.
Ele me carregou em direção à cama e me deitou de costas nos lençóis. O impacto fez meu corpo quicar no colchão e a dor na costela latejou, mas antes que eu pudesse reclamar, o peso dele estava sobre mim, me prensando. Dominic segurou meus pulsos acima da cabeça com uma das mãos, enquanto a outra descia pelo meu corpo.

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