POV/ Alessia
Dominic levou a mão à nuca, coçando o couro cabeludo em um gesto de frustração contida. Ele desviou o olhar para o chão por um segundo antes de focar em mim novamente.
— Eu conversei com o Cassian. Ele me ligou. Contou o que você fez.
— E o meu pai? Meu irmão? Marcellos? — As palavras saíram apressadas. — O que você fez com eles?
Dominic tensionou o maxilar, o músculo da mandíbula saltando.
— Estão vivos ainda. Devem voltar para o território deles hoje.
Soltei o ar, um alívio imenso desinchando meus ombros.
— Ótimo. Já sabe que eu não quis machucar seu irmão e me atualizou sobre minha família. Agora você pode ir.
Ele não se moveu para sair. Em vez disso, deu um passo à frente.
— Por que você não fugiu, Alessia? A porta estava aberta. Enzo estava ocupado. Eu estava cego pela fumaça. Você poderia ter sumido. Por que ficou para ajudar meu irmão?
Virei-me totalmente de costas para ele, ignorando a pontada aguda no flanco. Apoiei as mãos no parapeito, sentindo o frio do mármore contra as palmas.
— Porque eu ainda tenho uma alma, Dominic. Diferente de você, eu não deixo crianças morrerem para salvar a minha pele. Se vocês iam morrer naquela explosão, que morressem pelos seus próprios pecados, mas longe de mim. Cassian é só um menino.
— Que coisa absurda, vindo da filha de um assassino — ele rebateu, mas o tom não tinha a convicção de antes. Ele deu mais dois passos. Agora, apenas alguns metros nos separavam.
— Você tem que parar de falar como se eu fosse inumana! Só uma coisa. — Virei-me para ele, a voz subindo um tom. — Eu tenho sentimentos. Eu me importo!
Dominic soltou uma risada seca e curta, passando a mão pelo rosto como se tentasse limpar o cansaço.
— Você não é uma coisa, Alessia. Coisas não têm valor. Você é uma propriedade. E eu jamais deixaria nada quebrar você... porque a única pessoa com o direito de te quebrar sou eu.
Eu ri, um som amargo. Dei os passos à frente, diminuindo a distância. O cheiro de sabão e Bourbon dele me atingiu em cheio.
— Você não faz o menor sentido. Fala dessas coisas, me quebrar, mas eu vi como você agiu hoje... se quisesse tanto me matar, teria deixado alguma daquelas balas me atingir. Ou deixado o Canário estourar minha cabeça. Mas você não deixou.
— Você não faz ideia do que aconteceu naquela festa, não é, princesa? Acha que foi um ataque surpresa? Aquilo não era só sobre você.
Travei. O tom dele mudou para algo profissional e gelado.
— Do que você está falando?

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