POV: DOMINIC FERRARO
Passei o dia repassando instruções aos seguranças que estariam na festa infiltrados como convidados. Depois de uma garrafa de whisky, tomei banho e me arrumei. Escolhi o terno para mim e para o Cassian. Ajustei o coldre da pistola nas costas e conferi os pentes. O tempo de pensar acabou. Saí do quarto e desci para o hall.
Parei no pé da escadaria e ajustei os punhos do terno azul-marinho. O Lorenzo insistiu na cor; disse que o preto me deixava com cara de enterro. Ele não estava errado — hoje eu pretendia enterrar o orgulho de muita gente. Ouvi o som de passos leves no topo da escada. Olhei para cima.
Alessia aparecia no topo. O vestido prateado moldava o corpo dela e o cabelo estava impecável. O colar de prata no pescoço brilhava sob a luz, com meu nome gravado. Era o aviso: ela era minha propriedade. Por um segundo, meu cérebro registrou um erro. Ela era um pecado, mas eu não ia admitir.
— Tenho que admitir... a coleira caiu muito bem em você, princesa — soltei, vendo-a terminar de descer.
Ela tentou rebater, dizendo que só estava ali pela família. Pobre garota. Acha que "querer" algo tem peso no meu mundo. Quebrei a resistência dela com um rosnado, lembrando-a de que não tinha escolha, e foquei no Cassian. Meu irmão parecia um filhote de lobo tentando uivar, orgulhoso no seu primeiro terno. Baguncei o cabelo dele; era o máximo de afeto que eu me permitia antes de entrarmos no ninho de víboras.
Ao pousarmos, meus homens já estavam em posição. Um soldado olhou demais para a "nova aquisição". Se ele não desviasse os olhos em três segundos, eu decoraria o terno dele com seus miolos. Ele entendeu o recado só com o meu olhar.
— Perímetro verificado, Capo.
Quarenta minutos de SUV e as portas da propriedade Moretti se abriram. O luxo era obsceno. Milhões em flores para esconder que todos ali eram assassinos. Notei a falta de mulheres e crianças. Bom. Menos danos colaterais se o tiroteio começasse cedo. Saímos do carro e marquei território. Pousei a mão no ombro de Alessia, sentindo-a estremecer.
— Se comporte. Não faça gracinha — sussurrei.
Eu precisava dela no meu campo de visão. Se algum desgraçado encostasse nela sem permissão, a festa viraria um banquete de sangue.
— A propósito... você está irritantemente linda — confessei a contragosto, mas era a verdade.
Subimos os degraus e encontramos o comitê: Lorenzo e o pavão real, Ethan Moretti. Ethan usava um terno roxo. O desgraçado ama um holofote.
— Alessia Lombardi... mais encantadora do que dizem os boatos — Ethan disse, com aquela voz melosa.
Quando ele levou a mão dela aos lábios, meus dedos coçaram para alcançar a arma no coldre oculto. Apertei a outra mão de Alessia com força, lembrando-a de quem era o dono.
— Pensei que você fosse o noivo — ela disse para Ethan. — Eu me casar? Jamais! — ele riu.
Trocaram comenatarios sobre o terno roxo dele e o cabelo dela. Cassian se meteu, ganhando um aperto de mão de Ethan. Eu queria acabar com aquela encenação. Lorenzo cortou a palhaçada.
— Vamos entrar — ele disse, checando o relógio.
Ofereci o braço a Alessia. O toque do tecido contra a pele dela era o único contrato que importava.
— Temos um papel a desempenhar — avisei no ouvido dela, sentindo o perfume de baunilha. — Lembre-se: você é minha. Sorria como se gostasse disso.
Entramos no salão. O jogo começou. Conduzi Alessia até Killian e Heloísa. Killian era o espelho da minha frieza. O plano estava em marcha: o Conselho infiltrado, a festa era o curral para separar o gado dos lobos.

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