POV/ ALESSIA
Ele não respondeu com palavras. Em vez disso, os olhos dele fizeram um rastreamento lento pelo meu corpo, parando no decote do top antes de descerem para a linha curta do meu short. O maxilar dele travou de um jeito que os músculos do pescoço saltaram.
Sem aviso, ele agarrou a barra da própria camiseta preta e a arrancou em um movimento único, revelando o peito largo, definido e marcado por cicatrizes que contavam histórias de puro sangue. Ele embolou a peça e jogou na minha cara.
— Vista isso — ordenou. A voz saiu rouca, quase um rosnado.
— Por quê? Está com medo de se desconcentrar? — Debochei, segurando a camisa dele que ainda tinha o calor do seu corpo.
— Não é porque você vá me desconcentrar — ele disparou, os olhos bicolores fixos nos meus. — Mas é difícil minha cabeça funcionar enquanto vejo peitos balançando desse jeito na minha frente.
Senti o calor subir direto para o meu rosto. Minha respiração falhou por um segundo.
— Ah, então eu realmente tenho esse efeito em você, Dominic?
— Qualquer mulher seminua teria esse efeito, Alessia — ele retrucou, seco, as palavras cortando como uma navalha.
O insulto me atingiu como um soco no estômago. Ele me comparou a qualquer uma, como se eu fosse apenas um pedaço de carne comum na vitrine dele. Engoli o nó de fúria na garganta e joguei a camiseta dele no chão, bem no meio de nós dois.
— Não vou vestir. Vai me deixar mais lenta — menti, sentindo meu sangue ferver.
Dominic soltou um riso curto, puro deboche.
Avancei primeiro. Desferi um murro direto no rosto dele, mas Dominic bloqueou com a palma da mão como se estivesse afastando uma mosca. Ele respondeu com um chute lateral rápido; eu girei o quadril e bloqueei com a canela, sentindo o impacto vibrar até meus dentes. Tentei atingir a canela dele em seguida, mas ele saltou com uma agilidade absurda.
Ele estava apenas desviando, brincando com o meu esforço enquanto eu gastava energia tentando atingir aquela muralha de músculos.
Em um movimento súbito, ele avançou. Dominic me pegou pela cintura antes que eu pudesse reagir e me ergueu do chão. Ele me colocou de costas no tatame, com uma lentidão deliberada, ao invés de me jogar com força como o Canário ou Lorenzo fariam.
— Um a zero para mim — ele murmurou, pairando sobre mim. — Agora veste a porra da camiseta.
Bati a mão no tatame, a raiva fervendo. Me recompus em um salto e vesti a camiseta a contragosto. Ele deu um sorrisinho vitorioso e voltamos ao combate. Eu desferia golpes e ele desviava; eu tentava acertar e ele bloqueava meus murros e chutes como se fossem carícias. Tentei dar uma rasteira, mas ele era firme como uma árvore centenária. Comecei uma sequência de golpes curtos, mas ele defendeu tudo. Minhas mãos doíam; ele parecia feito de ferro.
Resolvi caminhar de volta para o centro do tatame para recomeçar, mas senti um puxão brusco. Ele agarrou meu cabelo com uma mão e, com a outra, envolveu meu pescoço, forçando minha cabeça para trás.

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