POV: ALESSIA LOMBARDI
— Como? — sussurrei.
As lágrimas de frustração e desejo queimavam meus olhos, mas eu não as deixaria cair.
— Como é que só eu sinto isso? Como eu posso ser só um brinquedo para você enquanto meu corpo inteiro grita pelo seu?
Dominic abriu a boca para responder. Por um breve segundo, o olhar dele amoleceu, perdendo a dureza habitual.
— Alessia, não é assim... — ele gaguejou, parecendo buscar palavras que não faziam parte do seu vocabulário de monstro. — Você é muito... muito é...
— DOMINIC!
O grito do Cassian ecoou pelo pátio, nos fazendo pular. Levantei-me às pressas, limpando a camiseta e tentando disfarçar o rosto vermelho. Dominic se levantou mais devagar, a expressão voltando a ser a máscara de gelo de sempre.
Cassian vinha correndo, animado, com a mochila balançando.
— Você ganhou! Eu vi! O Dominic está no chão! — ele gritou, parando na beira do tatame. — Vocês estavam lutando ou se pegando?
Ele ria, olhando de um para o outro com aquela malícia de quem sabe demais.
— Eu ganhei — falei, forçando um sorriso vitorioso para esconder o tremor na voz. — Eu derrubei o seu irmão no chão, Cassian. Pode espalhar para a mansão inteira.
— Eu vi tudo! — Cassian riu, provocando o irmão. — O Dominic perdendo? Vou pedir para ver o replay nas câmeras várias vezes.
O menino saiu correndo pelo corredor, gritando "O Dominic perdeu!" até a voz sumir na distância. O silêncio que se instalou era denso, carregado com tudo o que havíamos deixado pendente ali no chão. Eu tinha ganhado a aposta, mas sentia que tinha acabado de perder muito mais.
Dominic se limpou com a própria camiseta que eu havia jogado no chão. Ele me encarou, os olhos recuperando a frieza autoritária, mas com um vinco de curiosidade na testa.
— Você ganhou, Alessia. Jogou sujo, mas ganhou — admitiu, a voz grave. — Diga. O que você quer? Qual o seu primeiro pedido?
Respirei fundo. Lembrei da cachoeira que a Siena mencionava, algo que ela nunca pôde ver.
— Eu sei que tem uma cachoeira nesta propriedade — falei, sustentando o olhar dele. — Quero que me leve lá.
Dominic arqueou uma sobrancelha. Acho que ele esperava algo material, ou talvez algo vingativo.
— Uma cachoeira? — repetiu. — Só isso?
— É o meu primeiro pedido, Dominic.
— Vou providenciar — ele assentiu, a postura relaxando. — E as outras duas coisas? O que mais a princesa prisioneira vai querer do seu mestre?
Dei um sorriso enigmático, sentindo um pingo de poder pela primeira vez.
— Vou decidir com o tempo — respondi, caminhando em direção à saída. — Já que não sei quanto tempo vou ficar aqui, não tenho pressa de gastar meus desejos.
— Você não tem ideia de quanto tempo vai ficar aqui, Alessia.
O tom dele não era uma ameaça, era uma constatação séria. Ele parou, me olhando fixamente.
— Mas eu garanto que terá tempo de sobra para lembrar de cada um deles. E de mim.
Apenas acenei, pronta para ir embora, mas ele me chamou uma última vez.
— Tenho assuntos na Sicília. Treinamento de novos soldados. Sete dias. Quando eu voltar, te levo na cachoeira.

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