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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 205

POV Isadora

A noite, decidir caminhar pela beira mar. Precisava pensar sobre os últimos acontecimentos e me acalmar. Deixei Sofia com a babá e o Dante no telefone, resolvendo os problemas com a mídia.

O mar sussurrava, uma voz constante, como se o mundo respirasse devagar. O vento batia no meu rosto e eu deixava. Precisava sentir alguma coisa que não fosse culpa, medo ou raiva. Só... sentir.

As ondas vinham e iam, e eu pensava em tudo que tinha desabado nos últimos dias. Na coletiva. Na mentira. No toque nojento de Heitor. No olhar de Dante logo depois, tentando segurar o próprio caos. Tudo era um turbilhão. E eu estava ali, tentando não afundar.

Fechei os olhos. Respirei fundo. O sal grudava nos meus lábios, o som do mar misturava-se ao barulho distante da cidade. Por um segundo, quis desaparecer ali, virar espuma, vento, qualquer coisa menos eu.

Depois de um tempo, que poderia muito bem ser horas, ouvi passos atrás de mim e a voz que eu amo bradou:

— Eu devia saber que te encontraria aqui.

A voz veio mansa, rouca, familiar. Virei devagar. Dante vinha caminhando pela areia, o blazer pendendo dos ombros, o vento bagunçando o cabelo dele. Havia algo cansado no jeito que ele andava, como se o peso do mundo estivesse preso às costas.

— Precisei sair um pouco. — minha voz saiu baixa. — A casa parecia... pesada.

Ele assentiu, parando ao meu lado. Por alguns segundos, não dissemos nada. Só o mar entre nós e o não-dito pairando no ar.

— Eu devia ter te acompanhado — disse ele, depois de um tempo. — Desde o começo.

— Não dá pra controlar tudo, Dante. — olhei o horizonte. — Nem as pessoas, nem as mentiras... nem o que acontece com a gente.

Ele soltou uma risada seca.

— É. Mas eu queria ao menos conseguir te proteger disso.

Virei pra ele. Os olhos dele estavam cravados nos meus, escuros, intensos, cheios de algo que era dor e amor na mesma medida. Aquela expressão me desmontava. Sempre me desmontou.

— Você não falhou comigo — eu disse, com a voz trêmula. — Quem errou não foi você.

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