Eloise olhou ao redor, atônita, mas não viu Athena em lugar nenhum. Ansiosa, o suor irrompeu em sua testa.
Havia uma multidão cruzando de um lado para o outro.
Protegendo-a dos esbarrões, Dorothea sugeriu: "Madame, por que não entramos ali? Aqui fora há gente demais."
Na praça efervescente havia pessoas de todo tipo. Algumas respeitáveis, outras nem tanto.
Se alguém trombasse em Eloise, as consequências poderiam ser graves.
"Mas a Athena desapareceu." Eloise esticou o pescoço, o rosto tomado de preocupação. "Ela está só com aquela criada, a Trina. E se acontecer alguma coisa?"
"Ela devia ter avisado antes de sair." Dorothea suspirou, claramente contrariada. "Se ao menos entendesse a sua aflição. Não se preocupe com ela."
Dorothea servia Eloise desde o enxoval e lhe era absolutamente leal. Outros não ousariam falar com tamanha franqueza.
Eloise deu um tapinha na mão dela e sorriu. "Sou mãe dela. É natural que eu me preocupe. Deixa pra lá. Vamos entrar."
*****
Dentro da igreja, Willow e Matthew tinham sido empurrados para um tablado alto. Eles vasculharam a multidão lá embaixo, mas não viram Eloise em lugar algum.
"Isso é ruim. Perdemos a mamãe. Será que ela ficou preocupada?" O rostinho de Willow se contraiu de aflição, os olhos ficando vermelhos de ansiedade.
Vendo isso, Matthew se sentiu péssimo e tratou de consolá-la: "Calma. A mamãe já deve estar chegando. A maioria dos fiéis está no salão principal."
Willow mordeu o lábio, inquieta. "Pode ser, mas a saúde dela não é boa. E se ela se machucar no empurra-empurra?"
Com os olhos cheios de esperança, Willow ergueu o olhar para ele. "Matthew, você poderia ir procurá-la? Eu vou esperar aqui no templo e não vou sair correndo."
"Mas…" Matthew hesitou. Willow estava apenas com Nona ao lado. As outras criadas e serviçais tinham sido dispersados pela multidão.
Juntá-los levaria tempo. Ele não queria deixar Willow sozinha.
Percebendo a tensão, Nona se apressou em dizer: "Não se preocupe, lorde Matthew. Eu protegerei a lady Willow."
Sabendo que hoje havia guardas da cidade de serviço, Matthew assentiu.
Ele se voltou para Willow e disse: "Está bem. Fique aqui e não vá a lugar nenhum. Eu volto logo."
"Eu sei", respondeu Willow, doce.
Matthew se afastou, olhando para trás várias vezes, só seguindo adiante quando viu Willow parada, comportada.
Mal ele sumiu na multidão, Willow e Nona trocaram um olhar e se separaram.
Não muito longe, Athena viu isso e tratou de seguir.
Atrás dela, Trina perguntou, confusa: "Por que ela mandaria o lorde Matthew embora de propósito? Será que vai encontrar o pai bêbado?"
Athena soltou um riso frio. "Ela preza demais a própria pele para se enfiar no perigo sozinha. Com certeza armou alguma coisa. Vamos seguir e descobrir."
As duas evitaram a multidão e contornaram pelos fundos do prédio.
Willow avançava rumo aos aposentos laterais.
Atrás do prédio havia um bosque. Quase ninguém passava por ali.
Estava claro que Willow ia se encontrar com Daniel.
Athena subiu uma ladeira e se escondeu num ponto discreto. E, de fato, Willow logo surgiu sozinha entre as árvores.
"Cadê a Nona?" Trina disse, surpresa.
Athena também achou estranho. Willow ousara vir sozinha.
Ele começou a espancá-la sem piedade. Willow se encolheu, protegendo a cabeça, e berrou: "Mesmo que me mate, eu não cedo!"
Nesse instante, a voz de Eloise soou de repente: "Willow, onde você está?"
"Senhorita, onde a senhora se meteu?" gritou Nona.
Cambaleando, Eloise e Nona chegaram até eles. Viram Daniel esbofetear Willow.
A saia de Eloise estava coberta de grama, o rosto ruborizado de ansiedade. Era evidente que ela viera às pressas o caminho todo.
Nona vinha logo atrás, a testa reluzindo de suor.
Ao ver Daniel atacando Willow, os olhos de Eloise se arregalaram de horror. O rosto se encheu de pânico e fúria. "Pare!" ela gritou, tropeçando na corrida em direção à filha.
Ao avistá-la, Willow berrou: "Mãe, não chegue perto!"
Ela largou o ar de coitadinha, agarrou a perna de Daniel e gritou: "Ele é um lunático! Não venha!"
Os olhos de Daniel estavam injetados de sangue. Tudo em que ele conseguia pensar era dinheiro.
Ao ver Eloise, ele deu um pontapé em Willow e avançou furioso na direção dela.
Willow caiu no chão com um grito. Eloise ficou paralisada, apavorada pelo olhar assassino dele.
Ela só tinha Nona consigo. Não eram páreo para aquele brutamontes.
Daniel desferiu um chute em Nona e a lançou numa valeta.
Em poucos passos, alcançou Eloise, agarrou-a pela gola e rosnou: "Cadê o dinheiro? Passa agora!"
Eloise jamais tinha presenciado cena tão aterradora. A cabeça rodou e ela desabou, desmaiada, no mesmo instante.

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