Se Atena soubesse que um simples passeio poderia causar tanto transtorno, jamais teria vindo.
As palavras de Michael, mais uma vez, colocaram Atena em uma saia-justa.
Três pares de olhos estavam cravados nela.
O olhar de Willow, carregado de censura e ressentimento, deixava Atena profundamente desconfortável.
Em vez de confrontar Michael, o causador de tudo, Willow lançava olhares acusatórios para Atena.
Até o calor nos olhos de Nicolas se dissipou. Ele vinha se esforçando para apaziguar os ânimos. No entanto, bastou uma única frase de Michael para que a paz frágil se estilhaçasse, lançando o relacionamento de volta ao gelo.
Nicolas respirou fundo e forçou um sorriso. "Michael, você deve estar enganado. Atena não gosta de enfeites de coelho. Essa é a predileção da Willow."
Willow anuiu, dócil, e suplicou num fio de voz: "Michael, quem gosta do lampião de coelho sou eu. Por favor, não constranja mais a Atena..."
Mas Michael agiu como se não tivesse ouvido nada, mantendo o olhar obstinado cravado em Atena. Exigiu: "Atena, me diga, de qual você realmente gosta?"
A expressão de Ray escureceu. As provocações repetidas de Michael finalmente o levaram ao limite.
Ele o encarou com frieza e declarou: "O que a Atena gosta diz respeito a mim. Michael, pare de cobiçar o que não é seu. Minha noiva não lhe diz respeito."
Dito isso, Ray passou o braço ao redor dos ombros de Atena, puxando-a com firmeza para o próprio peito, como quem marca território.
Embora frágil, Ray ainda era um homem.
Seu aperto forte fez Atena estremecer de dor, franzindo o cenho.
Atena sustentou o olhar incandescente de Michael e, com a voz gélida, afirmou: "Michael, você está mesmo enganado. Eu nunca gostei de enfeites de coelho, nem antes, nem agora, e nem vou gostar."
O olhar de Michael escureceu ao fitá-la. "Então você realmente não gosta?"
Naquele instante, Michael estava absolutamente decepcionado com Atena.
Pensou: "Só pelo título, ela se lança nesse casamento, sabendo muito bem que ficará viúva.
Desde quando Atena ficou tão obcecada por status?"
"Michael..." Willow não suportava o modo como ele continuava a olhar para Atena. Puxou de leve a manga dele, os olhos marejados.
Algumas tosses abafadas, por fim, fizeram Michael desviar os olhos de Atena.
Antes que ele causasse outra cena, Nicolas rapidamente o arrastou. "Anda, as barracas já estão fechando."
Puxado por Nicolas e Willow, Michael os acompanhou até a banca de um vendedor e comprou dois enfeites.
Mas, quando estava prestes a pagar, Nicolas foi mais rápido.
Para evitar mais problemas, Nicolas pegou um lampião de coelho e se aproximou de Atena com um sorriso conciliador. "Veja, Atena, não é uma graça este lampião de coelho?"
Ele estendeu o lampião diante dela, num gesto gentil. "Tome, Atena, é presente meu."
Atena não pegou o lampião; a expressão era impassível quando disse, seca: "Não gosto."
"Como é que você não vai gostar..." Nicolas forçou um sorriso e, de propósito, recuou alguns passos para caminhar ao lado dela. Tentando aliviar o clima, puxou uma lembrança de infância: "Lembra quando era pequena? Você chorou horrores por causa de um lampião de coelho."
Quando Atena tinha oito anos, Nicolas comprou para ela um lampião, mas Willow exigiu o brinquedo para si.
Naquela época, havia restado apenas um lampião de coelho.
Sem esperar a resposta de Atena, Nicolas passou o lampião, sem cerimônia, para Willow.
Ele prometeu a Atena: "Você pega de volta quando a Willow se cansar."
Atena esperou, mas, mesmo ao amanhecer, seu pequeno lampião não reapareceu.

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