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A Ascensão da Menina Indesejada romance Capítulo 140

Na Mansão Xander, quando Athena entrou, Nelson a recebeu com um sorriso caloroso. "Lady Athena, enfim a senhorita chegou", disse ele.

Athena sorriu em pedido de desculpas. "Desculpe o atraso — os últimos dias têm sido uma correria. Não vai se repetir."

Nelson lhe devolveu um sorriso compreensivo. "Tudo bem."

Ele não pôde deixar de notar o quanto Xander havia mudado desde que Athena começara a frequentar a mansão — não era mais tão frio e distante, e até sorria com mais frequência. Era mérito dela.

Nelson conduziu Athena até o pátio interno, mas de repente parou no meio do caminho.

Fitando a figura ágil não muito longe dali, ele arfou, surpreso. "Sua Alteza voltou a manejar a espada."

Athena seguiu o olhar de Nelson e viu uma figura de negro movendo-se pelo pátio, os gestos fluidos.

A espada longa em suas mãos deixava rastros no ar; a intenção de matar era quase palpável, e o ar vibrava com a ressonância do aço.

Folhas rodopiavam furiosas ao redor dele; a cena de tirar o fôlego fez os olhos de Athena se arregalarem de assombro.

Embora nada entendesse de artes marciais, até ela percebia que ninguém se igualava à habilidade de Xander.

E Xander nem sequer estava totalmente recuperado. No auge, ninguém conseguiria enfrentá-lo.

De súbito, o olhar de Xander gelou. Com um estalo do pulso, um projétil oculto cortou o ar rumo ao rosto de Athena. O dardo roçou seus cabelos.

Com um seco tac, cravou-se no tronco de uma árvore.

Athena suou frio. Ao se virar, viu uma vespa venenosa pregada na árvore pela agulha.

Nelson arquejou: "Nossa, essa vespa é terrível. A ferroada não mata, mas deixa a pessoa inchada por semanas. Ainda bem que Sua Alteza agiu a tempo."

Percebendo que Nelson tentava amenizar as coisas para Xander, Athena apressou-se em fazer uma reverência. "Obrigada, Sua Alteza."

Xander encaixou a espada na bainha com um giro do pulso — a lâmina voou direto para dentro sem que ele sequer olhasse. Ele só mirou Athena e disse: "Está tudo bem."

Enquanto falava, já estava bem diante dela.

Athena ainda se maravilhava com a facilidade com que ele embainhara a espada.

"Ele nem olhou — como isso é possível?", pensou, atônita. "É simplesmente incrível."

Nesse momento, Xander projetou-se sobre ela. Num instante, uma aura avassaladora e dominante envolveu Athena. Era tão intensa que ela se sentiu completamente indefesa. Nem ousou encarar os olhos de Xander.

Xander baixou o olhar para ela; Athena mal chegava à altura do ombro dele.

Ele era naturalmente mais alto que a maioria dos homens, e embora Athena não fosse baixa, parecia quase pequena diante dele.

Athena respirou fundo para se recompor e rapidamente estendeu o remédio fitoterápico para Xander. "Sua Alteza, esta é minha nova prescrição. Se tomar por mais sete ou oito dias, sua enfermidade ficará completamente resolvida."

As mãos diante dele estavam longe de ser delicadas — na verdade, eram um tanto ásperas. Ainda assim, para Xander, pareciam no ponto certo. Nunca gostara de mulheres frágeis e mimosas; achava-as entediantes.

Athena era direta e sem afetação, embora houvesse algo nela que o incomodava. Sempre que o fitava, baixava a cabeça.

A testa de Xander franziu de leve. "Será que Athena tem medo de mim?", questionou-se.

Ele pegou o remédio das mãos dela e, ao notar o ferimento em seu pulso, um brilho profundo passou por seus olhos. Sabia muito bem que Athena havia sido sequestrada por Matthew.

"Você salvou minha vida. Estou em dívida, então vou lhe ensinar a se proteger", declarou Xander, fixando o olhar na testa dela, em tom de comando. Dito isso, virou-se e caminhou a passos largos rumo ao campo de treino.

Athena ficou um pouco atônita. "Eu nunca pedi recompensa", pensou. "E a forma dele retribuir é realmente fora do comum."

"E então? Ande logo", veio a voz impaciente de Xander adiante.

Seu mestre costumava dizer: "Sua vida é muito dura. Se não aprender algumas habilidades médicas, talvez não sobreviva."

Ela cerrou os dentes e estudou, embora, no começo, fosse penoso. Se não memorizasse as ervas, o mestre lhe dava leves toques nos nós dos dedos. Muitas vezes ela chorava por causa disso.

Mas quando finalmente acertava, o mestre a recompensava com um doce.

Agora, com Xander ensinando armas ocultas e arco e flecha, Athena sentia que era isso que verdadeiramente amava.

Xander pareceu muito satisfeito com o ânimo dela. "Mesma regra de antes — venha à mansão a cada três dias", instruiu Xander.

Athena sentiu uma excitação difícil de descrever. Entendeu o motivo de Xander ter definido o intervalo de três dias.

Artes marciais exigiam persistência; o ideal seria vir todos os dias.

Mas Xander tinha deveres oficiais, e ela não queria importuná-lo diariamente. Três dias já eram mais do que suficientes.

Athena assentiu com firmeza. "Sim, Sua Alteza."

"Agora, vou lhe mostrar como lançar a faca. Observe bem", disse Xander, demonstrando para Athena. "Dobre o braço, mantenha a mão perto do peito e solte com um estalo em direção ao alvo. Mão, olhos e corpo em sintonia. Mantenha a calma."

Num gesto rápido, ele lançou a faca de arremesso — ela se cravou com firmeza no poste de madeira.

Os olhos de Athena se escancararam. Xander fez sinal para que ela se aproximasse e lhe entregou a faca. "Sua vez. Tente."

A faca de arremesso tinha o comprimento da palma da mão, fio implacável e um peso gostoso de sentir.

Athena repassou mentalmente os movimentos dele, respirou fundo e lançou a faca. Como era de esperar, ela desviou e caiu no chão.

Ela achou que Xander fosse caçoar, mas ele apenas lhe deu um aceno aprovador. "Boa forma para a primeira tentativa. De novo."

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