Athena seguiu as técnicas que Xander lhe ensinara e praticou com armas ocultas por meia hora. Não demorou para que o cansaço a alcançasse.
Embora fosse uma arma escondida, para uma completa iniciante como ela, era extremamente desafiador.
“Como é que meus braços podem doer tanto em tão pouco tempo?”, pensou. Ainda assim, recusou-se a desistir; cerrou os dentes e persistiu apesar da dor.
Quando estava prestes a continuar, Xander a chamou, interrompendo o treino. “Venha. Beba um pouco de água.”
Sob a sombra da figueira-de-bengala, os traços talhados de Xander e os olhos profundos e contemplativos o destacavam. Porém, num relance involuntário, uma ternura inconsciente suavizou a nobreza de seu semblante.
Uma pena que Athena não estava prestando atenção nele.
Ao olhar por cima do ombro, ela só o viu servindo água. As mãos dele eram quase injustas de tão perfeitas, impecavelmente proporcionadas.
Athena não pôde evitar o pensamento: “Deus realmente favorece Sua Alteza. Nasceu em berço de ouro, com feições marcantes, e até as mãos são tão primorosas.”
“Não é à toa que dizem que ninguém se compara nem a um dedo dele.”
Xander empurrou um copo de água na direção dela. “Tome um pouco de água”, disse.
Athena desviou o olhar das mãos dele, sentindo um leve desconforto. “Que impropriedade a minha. Quase perdi a compostura”, pensou.
Apressada, recebeu a água com as duas mãos e fez uma leve reverência. “Obrigada, Sua Alteza”, disse com respeito.
Xander franziu um pouco a testa. “Sou assim tão intimidante?”, refletiu. “Por que a Athena sempre me trata como se eu fosse um ancião distante toda vez que me vê?”
Ao notar o cenho dele, Athena ficou ainda mais inquieta. “Será que ofendi Sua Alteza com meus modos inadequados?”, perguntou-se, aflita. “Ah, já entendi.”
Lembrou-se do que Nelson havia dito: Xander não gostava de gente chegando perto demais.
Levantou-se às pressas e recuou dois passos. Em seguida, virou o copo num gole só.
Xander a observou, confuso, e então ouviu Athena dizer, com toda a deferência: “Agradeço a hospitalidade, Sua Alteza. Se não houver mais nada, vou me retirar.”
Nelson acabara de chegar com uma bandeja de doces quando escutou as palavras de Athena.
Percebendo o semblante de Xander escurecer, Nelson adiantou-se depressa e disse, aflito: “Senhorita Monson, já vai tão cedo? Acabei de preparar estes doces. Por favor, prove alguns antes de partir.”
“Mas…” Athena lançou um olhar a Xander, cuja expressão se carregava a cada segundo, e vacilou.
“Dizem que Sua Alteza é temperamental — e parece que é verdade”, pensou. “Com ele claramente contrariado, se eu me estender além do devido, só vou me tornar ainda mais indesejada.”
Constrangida, voltou-se para Nelson e se desculpou: “Sinto muito, Nelson, mas tenho assuntos de casa que realmente preciso resolver.”
Nelson, nervoso, limpou o suor da testa. “Qual é a pressa?”
Lançou um olhar a Athena e a Xander — há pouco, pareciam se dar tão bem. “Por que ela está indo embora de repente?”, intrigou-se.
“É que…”, gaguejou Athena, a mente a mil. Para falar a verdade, lidar com Xander era mais estressante do que levar bronca do mestre por reprovar nas provas de botânica.
De repente, uma ideia lhe surgiu. “É sobre meu casamento”, soltou.
Mal começava a relaxar quando um estalo seco cortou o ar. O copo na mão de Xander se estilhaçou em incontáveis fragmentos.
Nelson ficou boquiaberto. Xander, sempre o retrato da compostura, realmente perdera o controle.
“O que deixou Sua Alteza tão irado?”, pensou Nelson, atônito. “Será por causa do casamento da Senhorita Monson?”
No instante em que essa hipótese lhe ocorreu, Nelson notou um lampejo de pânico — raríssimo — nos olhos de Xander.
As palmas de Athena ficaram úmidas de suor. “Será que Sua Alteza está mesmo furioso?”, imaginou.
Antes que pudesse pensar melhor, a voz grave de Xander ecoou: “A quem você está prometida?”
“Ao Ray, herdeiro da família McGee”, respondeu Athena, num fio de voz.
Dos lábios de Xander escapou uma risada fria, quase zombeteira. Ele não disse nada além disso, mas o desagrado em seu olhar era impossível de ignorar.
“O que o deixa tão contrariado? Não é ele quem vai se casar com o Ray”, pensou Athena, já um pouco irritada. “Xander, você está passando dos limites.”

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