Os olhos de Willow se arregalaram em pânico. Michael nunca a havia olhado daquele jeito.
O olhar dele era gélido e estranho, como se ela fosse uma criminosa.
Antes, ele ficava ao lado dela sem hesitar, sempre a defendendo.
“Michael...” A voz de Willow tremeu, carregada de pânico e desespero.
Agora ela finalmente entendeu que Michael já não a defendia como antes.
Foi como se lhe arrancassem um pedaço do coração, a dor fazendo Willow se encolher.
Lágrimas marejaram em seus olhos, prestes a cair, mas teimando em permanecer ali.
No passado, ver Willow assim deixaria Michael completamente sem reação.
Mas agora, ele apenas a fitava com um distanciamento frio; mesmo com as lágrimas prestes a despencar, ele não se comoveu nem um pouco.
Nicolas rapidamente se colocou à frente de Willow, protegendo-a. “Michael, não dá para conversarmos direito? Você nem ouviu o lado dela e já a está interrogando com tanta dureza. Quer empurrar a Willow para a morte?”
Atrás deles, ouviu-se o choro engasgado de Willow.
“Se é verdade ou não, vamos saber quando perguntarmos”, disse Michael, sem alterar a expressão.
Eloise arfou, chocada, o rosto tomado pela incredulidade.
“Michael, é mesmo essa a sua posição? Você já decidiu que a culpa é da Willow?”, perguntou-se Eloise.
Osbert friccionou as têmporas, frustrado, enquanto assistia à discussão sem fim.
“Desse jeito, esse caso algum dia vai ser resolvido?”, pensou, exasperado.
Além do mais, Xander havia ordenado uma investigação minuciosa. Eles precisavam ir até o fundo da questão.
Osbert hesitou por um instante e então disse com cuidado: “Bem, se não houver mais nada, vou escoltar Lady Willow até a delegacia.” Ao falar, lançou um olhar cauteloso para todos no aposento.
Nicolas franziu o cenho, o rosto escurecendo de raiva. “Você acha que a família Monson é um lugar qualquer onde se pode prender pessoas ao bel-prazer?”
Eloise imediatamente se colocou à frente de Willow, protegendo-a como uma galinha defende o pintinho. “Não! A Willow de jeito nenhum pode ir para a delegacia!”
Willow desabou em pranto, lágrimas escorrendo pelo rosto.
O semblante de Henry se carregou de fúria quando trovejou: “Sr. Larson, pode se retirar!”
Enquanto os Monson fechavam fileiras em torno de Willow, a paciência de Osbert começava a se esgotar.
Osbert endireitou a postura, e o sorriso esfriou. “Minhas senhorias e meus senhores, compreendo perfeitamente a preocupação de vocês com Lady Willow. Contudo, como este assunto envolve Lady Athena e o Príncipe Xander, encontro-me numa posição extremamente delicada.”
“O quê? O Príncipe Xander?”, exclamou Nicolas, arregalando os olhos de espanto.
Ele olhou para Henry, confuso, e o encontrou igualmente atônito.
Os dois trocaram um olhar cauteloso, ambos suando frio.
Pensaram: “Várias vezes, Xander veio em auxílio de Athena. Que situação mais estranha.”
A testa de Michael se vincou, e uma súbita onda de alarme o percorreu. “Por que o Príncipe Xander se envolveria nisso?”
A saraivada de perguntas deu a Osbert uma dor de cabeça latejante.
Ele sacudiu a cabeça com um sorriso constrangido. “Receio que isso esteja além do meu conhecimento”, respondeu.
Com uma reverência respeitosa, dirigiu-se a Henry: “Vossa Graça, peço que me conceda esta permissão e me deixe levar Lady Willow para depoimento. Garanto que, se ela não estiver envolvida, voltará sem um arranhão.”
Chegados a esse ponto, qualquer nova obstrução por parte de Henry seria o mesmo que enfrentar Xander.
Embora a contragosto, Henry não teve alternativa senão ceder.
Ele assentiu, relutante, e advertiu Osbert repetidas vezes, com ênfase: “Lady Willow é delicada. Se um único fio de cabelo dela se perder, eu o responsabilizarei pessoalmente.”
Osbert fez uma reverência e respondeu, obsequioso: “Jamais ousaria, Vossa Graça. É apenas um procedimento de praxe.”
Aliviado por Henry enfim ter cedido, Osbert soltou um suspiro.
Com um sorriso gentil, dirigiu-se a Willow: “Lady Willow, poderia me acompanhar para alguns esclarecimentos?”
Nona murchou como uma codorninha assustada, submetendo-se enquanto os grilhões eram fechados em seus pulsos e ela era arrastada para fora.
Resolvida a questão, Osbert inclinou-se respeitosamente para Henry, com um sorriso cortês: “Vossa Graça não precisa me acompanhar.”
O rosto de Henry escureceu de raiva, mas ele permaneceu em silêncio. Osbert exibiu um sorriso sem graça, virou-se e saiu a passos largos.
Se Osbert tivesse de escolher entre Xander e a família Monson, sem dúvida ficaria do lado de Xander. Afinal, ninguém ousava enfrentá-lo.
Os oficiais escoltaram Willow e Nona para fora da propriedade dos Monson.
Do lado de fora dos portões, uma multidão se juntou no mesmo instante, encarando Willow e Nona enquanto eram levadas algemadas.
As pessoas esticavam o pescoço, murmurando, surpresas: “O que aconteceu? O que a Srta. Monson fez para ser presa?”
Alguém disse: “Vai saber. Mas deve ser grave, se estão arrastando ela para a delegacia desse jeito.”
Willow ficou tão possessa com os comentários do povo que mal conseguiu se conter.
“Essa gente ínfima, que bobagens estão cuspindo?”, fervilhou por dentro.
Embora estivesse a ponto de explodir, por fora ainda conseguiu compor uma expressão de tristeza injustiçada.
Nona mostrou ser uma serva leal. Mesmo algemada, ergueu a voz em defesa de Willow: “Minha senhora foi injustiçada! E daí que ela tenha título de viscondessa? Isso não dá a ninguém o direito de caluniá-la!”
Osbert franziu o cenho e lançou um olhar cortante aos subordinados: “Amordacem-na. Agora!”
Ele zombou por dentro: “Como essa reles criatura ousa falar mal da viscondessa!”
Os oficiais enfiaram um pano na boca de Nona, calando-a por completo.
Um deles rosnou: “Fique quieta! Logo você vai pagar por isso.”
O rosto de Nona ficou lívido. Naquele instante, ela entendeu a intenção do oficial.
Osbert, receoso do status de Willow, não ousava tocá-la, mas não tinha escrúpulos em fazer de Nona um exemplo.
Ele vociferou: “Amarrem essa criada desgraçada no cavalete. Cinquenta chicotadas para começar!”

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