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A Ascensão da Menina Indesejada romance Capítulo 170

Os olhos de Willow se arregalaram em pânico. Michael nunca a havia olhado daquele jeito.

O olhar dele era gélido e estranho, como se ela fosse uma criminosa.

Antes, ele ficava ao lado dela sem hesitar, sempre a defendendo.

“Michael...” A voz de Willow tremeu, carregada de pânico e desespero.

Agora ela finalmente entendeu que Michael já não a defendia como antes.

Foi como se lhe arrancassem um pedaço do coração, a dor fazendo Willow se encolher.

Lágrimas marejaram em seus olhos, prestes a cair, mas teimando em permanecer ali.

No passado, ver Willow assim deixaria Michael completamente sem reação.

Mas agora, ele apenas a fitava com um distanciamento frio; mesmo com as lágrimas prestes a despencar, ele não se comoveu nem um pouco.

Nicolas rapidamente se colocou à frente de Willow, protegendo-a. “Michael, não dá para conversarmos direito? Você nem ouviu o lado dela e já a está interrogando com tanta dureza. Quer empurrar a Willow para a morte?”

Atrás deles, ouviu-se o choro engasgado de Willow.

“Se é verdade ou não, vamos saber quando perguntarmos”, disse Michael, sem alterar a expressão.

Eloise arfou, chocada, o rosto tomado pela incredulidade.

“Michael, é mesmo essa a sua posição? Você já decidiu que a culpa é da Willow?”, perguntou-se Eloise.

Osbert friccionou as têmporas, frustrado, enquanto assistia à discussão sem fim.

“Desse jeito, esse caso algum dia vai ser resolvido?”, pensou, exasperado.

Além do mais, Xander havia ordenado uma investigação minuciosa. Eles precisavam ir até o fundo da questão.

Osbert hesitou por um instante e então disse com cuidado: “Bem, se não houver mais nada, vou escoltar Lady Willow até a delegacia.” Ao falar, lançou um olhar cauteloso para todos no aposento.

Nicolas franziu o cenho, o rosto escurecendo de raiva. “Você acha que a família Monson é um lugar qualquer onde se pode prender pessoas ao bel-prazer?”

Eloise imediatamente se colocou à frente de Willow, protegendo-a como uma galinha defende o pintinho. “Não! A Willow de jeito nenhum pode ir para a delegacia!”

Willow desabou em pranto, lágrimas escorrendo pelo rosto.

O semblante de Henry se carregou de fúria quando trovejou: “Sr. Larson, pode se retirar!”

Enquanto os Monson fechavam fileiras em torno de Willow, a paciência de Osbert começava a se esgotar.

Osbert endireitou a postura, e o sorriso esfriou. “Minhas senhorias e meus senhores, compreendo perfeitamente a preocupação de vocês com Lady Willow. Contudo, como este assunto envolve Lady Athena e o Príncipe Xander, encontro-me numa posição extremamente delicada.”

“O quê? O Príncipe Xander?”, exclamou Nicolas, arregalando os olhos de espanto.

Ele olhou para Henry, confuso, e o encontrou igualmente atônito.

Os dois trocaram um olhar cauteloso, ambos suando frio.

Pensaram: “Várias vezes, Xander veio em auxílio de Athena. Que situação mais estranha.”

A testa de Michael se vincou, e uma súbita onda de alarme o percorreu. “Por que o Príncipe Xander se envolveria nisso?”

A saraivada de perguntas deu a Osbert uma dor de cabeça latejante.

Ele sacudiu a cabeça com um sorriso constrangido. “Receio que isso esteja além do meu conhecimento”, respondeu.

Com uma reverência respeitosa, dirigiu-se a Henry: “Vossa Graça, peço que me conceda esta permissão e me deixe levar Lady Willow para depoimento. Garanto que, se ela não estiver envolvida, voltará sem um arranhão.”

Chegados a esse ponto, qualquer nova obstrução por parte de Henry seria o mesmo que enfrentar Xander.

Embora a contragosto, Henry não teve alternativa senão ceder.

Ele assentiu, relutante, e advertiu Osbert repetidas vezes, com ênfase: “Lady Willow é delicada. Se um único fio de cabelo dela se perder, eu o responsabilizarei pessoalmente.”

Osbert fez uma reverência e respondeu, obsequioso: “Jamais ousaria, Vossa Graça. É apenas um procedimento de praxe.”

Aliviado por Henry enfim ter cedido, Osbert soltou um suspiro.

Com um sorriso gentil, dirigiu-se a Willow: “Lady Willow, poderia me acompanhar para alguns esclarecimentos?”

Nona murchou como uma codorninha assustada, submetendo-se enquanto os grilhões eram fechados em seus pulsos e ela era arrastada para fora.

Resolvida a questão, Osbert inclinou-se respeitosamente para Henry, com um sorriso cortês: “Vossa Graça não precisa me acompanhar.”

O rosto de Henry escureceu de raiva, mas ele permaneceu em silêncio. Osbert exibiu um sorriso sem graça, virou-se e saiu a passos largos.

Se Osbert tivesse de escolher entre Xander e a família Monson, sem dúvida ficaria do lado de Xander. Afinal, ninguém ousava enfrentá-lo.

Os oficiais escoltaram Willow e Nona para fora da propriedade dos Monson.

Do lado de fora dos portões, uma multidão se juntou no mesmo instante, encarando Willow e Nona enquanto eram levadas algemadas.

As pessoas esticavam o pescoço, murmurando, surpresas: “O que aconteceu? O que a Srta. Monson fez para ser presa?”

Alguém disse: “Vai saber. Mas deve ser grave, se estão arrastando ela para a delegacia desse jeito.”

Willow ficou tão possessa com os comentários do povo que mal conseguiu se conter.

“Essa gente ínfima, que bobagens estão cuspindo?”, fervilhou por dentro.

Embora estivesse a ponto de explodir, por fora ainda conseguiu compor uma expressão de tristeza injustiçada.

Nona mostrou ser uma serva leal. Mesmo algemada, ergueu a voz em defesa de Willow: “Minha senhora foi injustiçada! E daí que ela tenha título de viscondessa? Isso não dá a ninguém o direito de caluniá-la!”

Osbert franziu o cenho e lançou um olhar cortante aos subordinados: “Amordacem-na. Agora!”

Ele zombou por dentro: “Como essa reles criatura ousa falar mal da viscondessa!”

Os oficiais enfiaram um pano na boca de Nona, calando-a por completo.

Um deles rosnou: “Fique quieta! Logo você vai pagar por isso.”

O rosto de Nona ficou lívido. Naquele instante, ela entendeu a intenção do oficial.

Osbert, receoso do status de Willow, não ousava tocá-la, mas não tinha escrúpulos em fazer de Nona um exemplo.

Ele vociferou: “Amarrem essa criada desgraçada no cavalete. Cinquenta chicotadas para começar!”

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