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A Ascensão da Menina Indesejada romance Capítulo 25

O rosto de Matthew escureceu, negro como o fundo de um caldeirão, fervendo de raiva.

Ele pensou: “Athena, como você ousa?”

— A Athena tem coragem — disse, a voz baixa e cortante de fúria.

Aliza estremeceu e abaixou a cabeça, assustada. — Lorde Joseph, por favor, não culpe a Lady Athena. Ela não sabia que o senhor tinha voltado à mansão.

Joseph lançou-lhe um olhar de escárnio, claramente desconfiado. — Ainda vai encobrir o que ela fez? O que foi que ela prometeu? Se ela não tivesse voltado, mamãe teria entregado você para a Willow. Então por que, assim que ela retorna, uma criada que antes pertencia à Willow de repente vira criada dela?

Aliza baixou a cabeça ainda mais, com medo demais para falar.

Aquele ar de desamparo só confirmou as suspeitas de Matthew. A fúria subiu feito labareda, e ele atravessou o pátio decidido a confrontar Athena.

Os servos e as criadas no pátio, ao vê-lo chegar, tentaram barrar sua passagem, mas com uma ordem seca Matthew os dispersou. — Saiam da frente.

Ninguém ousou desafiá-lo; apenas olharam, mudos, enquanto ele arrombava a porta do quarto de Athena com um pontapé.

Lá dentro, Athena estava de pé em roupas simples; a figura frágil e o rosto pálido deixaram Matthew paralisado por um instante.

Instintivamente, ele lançou os olhos pelo quarto e não viu mais ninguém. Só então voltou a encará-la, a voz incerta. — Você… é mesmo a Athena?

A Athena que ele lembrava era saudável, cheia de vida. A mulher diante dele parecia ter sido esvaziada por completo, reduzida à sombra de si mesma.

Aquela Athena, tão alegre e viva, estava a mundos de distância da pessoa que tinha à frente.

Uma fisgada aguda atravessou o peito de Matthew. Algo estava errado. Mas ele não sabia dizer o quê. Pensou: “Três anos de trabalho duro podem tê-la mudado tanto assim?”

Athena esboçou um sorriso tênue, sem qualquer calor.

O tom dela era tão indiferente, tão alheio, que Matthew quase teve a sensação de falar com uma estranha. — Lorde Matthew, o que o traz aqui, fazendo esse escarcéu no meu pátio?

Matthew franziu o cenho, sem conseguir processar. — Como foi que você me chamou?

Ele sabia que Athena havia mudado, mas não esperava tanta frieza e distância. Nem ele, o irmão mais velho, parecia merecer a simples cortesia de ser chamado pelo nome. Ele sempre a mimara.

Quando criança, ele não deixava ninguém se aproximar do seu cavalo — exceto Athena.

Confiava que ela cuidaria do animal, e ela sempre o fazia com perfeição, mantendo o cavalo favorito dele em forma impecável. O arco e as flechas de que mais gostava também ficaram aos cuidados dela.

Ela sempre fora a pessoa em quem ele mais confiava, sua confidente mais querida. E agora, ela mal conseguia chamá-lo de “Lorde Matthew”.

— Athena, você perdeu o juízo? Está chamando ele de Lorde Matthew? — a voz de Joseph veio impregnada de escárnio. — Vai me negar também?

Athena ignorou as palavras de Joseph. Entre todos os irmãos, era ele quem ela menos suportava.

Ficou com o olhar preso no pequeno espaço à sua frente e falou com calma, quase descolada de tudo: — Então você veio hoje para se vingar por causa da Willow.

Não era uma pergunta, e sim uma constatação. Aquilo acontecera vezes demais.

Sempre que a Willow era contrariada, os dois irmãos apareciam sem pestanejar, caindo em cima dela sem saber dos fatos.

Às vezes, Athena se perguntava que pecados Henry teria cometido para ter gerado dois homens tão obtusos.

Já fraca, a balbúrdia dos irmãos começava a exauri-la.

Quando Willow era pequena, eles guardavam cada rabisco, cada saquinho torto que ela costurava. Eram tesouros, provas do carinho dela.

Mas os esforços de Athena, seus rabiscos, seus saquinhos — esses foram jogados fora, até caçoaram deles.

— Athena, você sabe o que é copiar mal o trabalho dos outros? — Matthew ainda ouvia as próprias zombarias ecoando.

A testa dele se vincou, como se algo ali destoasse.

Ele não negava os sacrifícios de Athena, mas Willow era diferente. Não tinha ninguém além deles.

— Então é por isso que você guarda rancor da Willow? — Matthew logo achou um jeito de justificar o ataque a ela. — Ainda assim, não precisava ser tão hostil com ela. Se tinha algo a dizer, podia falar conosco diretamente. Por que agir pelas sombras com truques mesquinhos?

Joseph concordou com um aceno. — É, se estava chateada, por que não falou logo com a gente?

Diante dos olhares inquisidores, o sorriso de Athena ficou mais frio. — Desde o começo, vocês nunca me respeitaram. Eu sou só uma roceira cheia de manias, e a Willow é preciosa e refinada. Essa é a diferença entre nós.

Matthew se retraiu, uma pontada de culpa despontando, mas logo sacudiu aquilo. — Bobagem.

— Esqueceu, Lorde Matthew? Toda vez que você voltava e eu ia te cumprimentar, você me olhava com desdém. Dizia que eu não era senhorita, que tinha maus hábitos. Eu ainda lembro do jeito que você me olhava.

Matthew ficou imóvel, o peito travado. — Eu não disse.

— Foram palavras jogadas fora quando éramos crianças. E você ainda guarda isso? — Joseph, sem entender, elevou a voz. — É mesmo necessário desenterrar isso agora? Só porque maltrataram você algumas vezes, ficou assim distante da gente?

Athena ergueu o olhar para ele, calmo e firme. — Lorde Joseph, com que direito você me dá lição de moral? Se não fosse eu encobrir as suas, tenho certeza de que o Lorde Henry já teria quebrado suas pernas há muito tempo.

As palavras bateram em Joseph como um tapa. O rosto dele empalideceu, e ele rebateu às pressas: — Athena, está inventando história.

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