Athena virou-se de súbito para encará-lo, e seu olhar gélido fez Matthew congelar. Nunca a tinha visto assim — tão feroz, tão indomável. Parecia um animal encurralado, pequeno, mas inquebrantável, mostrando as garras em desafio.
Enquanto ele ainda estava pego de surpresa, Athena avançou.
Quando Matthew recobrou o juízo, as mãos dela já estavam firmemente cerradas em sua garganta.
O joelho dela afundou no peito dele, imobilizando-o.
Talvez tudo tenha acontecido rápido demais, ou talvez ele simplesmente não esperasse isso dela — por um longo instante, Matthew apenas a fitou, atônito e mudo, esquecendo-se de reagir. Seu rosto ficou rapidamente rubro.
Ali perto, o grito aflito de Willow ecoou. "Athena, não — pare!"
Ela soluçou ao envolver a cintura de Athena, tentando com toda a força puxá-la para trás.
Siena e Aliza ficaram estarrecidas por um segundo e então correram — não para ajudar Athena, mas para suplicar, desesperadas: "Minha senhora, por favor, solte! Vai asfixiar o lorde Matthew até a morte!"
No desespero, Aliza chegou a tentar forçar os dedos de Athena a se abrirem.
"Saiam da minha frente", cortou Athena, a voz afiada como gelo.
As duas criadas estacaram, assustadas demais para dar outro passo.
Ela parecia decidida a matar Matthew. Por mais que Willow puxasse, Athena não afrouxava.
Os olhos de Matthew começaram a revirar.
De repente, Willow pareceu lembrar de algo e gritou: "Joseph! Socorro! Matthew vai morrer — a Athena está matando ele!"
Joseph enfim saiu do torpor e disparou à frente — mas, ao ver a cena diante de si, congelou, sem saber como intervir.
Em pânico, seus olhos pousaram num vaso sobre a mesa. Agarrou-o, ergueu acima da cabeça e gritou para Willow: "Sai!"
Assustada, Willow soltou um grito e arrancou as mãos.
Crash! O vaso se despedaçou contra a cabeça de Matthew — bem no instante em que Athena rolou para longe, por um triz escapando do golpe.
Matthew não emitiu som algum. Desabou no chão, inconsciente.
Willow e Joseph ficaram paralisados de choque. O sangue começou a escorrer pela testa de Matthew. O rosto de Joseph empalideceu por completo.
Ele apontou um dedo trêmulo para Athena, os olhos cheios de medo e repulsa. "Você… sua mulher perversa! Como pôde simplesmente desviar assim?"
Athena cuspiu um bocado de sangue e riu, desvairada. "Lorde Joseph, em vez de perder tempo me culpando, que tal começar a pensar em como vai explicar isso ao lorde Henry.
"As regras da casa proíbem claramente brigas. Você acaba de esmigalhar um vaso na cabeça do lorde Matthew. Pode apostar que nisso você vai levar uma surra."
"E— eu não quis…" A voz de Joseph tremia, à beira do choro.
Caiu de joelhos ao lado de Matthew, as mãos trêmulas tentando estancar o sangue. "Matthew, não morre… por favor, não morre… eu não quis te machucar…"
Willow chorava também, o rosto sulcado de lágrimas. Voltou-se para Athena, de coração partido. "Athena, como pôde fazer isso? Mesmo que Matthew estivesse errado, você não precisava estrangulá-lo! Joseph só acertou ele por acidente, tentando salvá-lo!"
"Quem disse que eu estrangulei?" Athena ergueu o olhar devagar, o tom calmo e frio. "Você tem prova?"
Willow estacou, claramente pega de surpresa. Fitou Athena com um misto de medo e incredulidade, a voz trêmula. "Eu… Joseph e eu vimos…"
"Ah, vocês viram?" Athena soltou um riso glacial. "O que exatamente viram? Viram o lorde Matthew invadir meu pátio e me bater até eu cuspir sangue? Ou foi quando ele reduziu minha mesa a farpas?
"Talvez vocês estejam enganados. Talvez o que de fato aconteceu foi Joseph e Matthew brigarem por aquele vaso no meu quarto. Joseph acertou Matthew sem querer. Não é isso?"
O sorriso dela fez um frio subir pela espinha de Willow. Ela mordeu o lábio com força, os olhos ficando vermelhos nas bordas. Os dedos, crispados no lenço, já estavam completamente brancos.
Athena estava ameaçando-a.
Há uma grande diferença entre briga e brincadeira de mão. Brigar quebrava as regras da família — e a punição era severa. Willow não sairia ilesa.
Para se salvar, Willow não hesitou em empurrar Joseph para debaixo da carroça.
Athena sorriu, tênue e glacial, e, sob os olhares ansiosos, limitou-se a dizer: "É isso mesmo."
Os olhos de Joseph se arregalaram, incrédulos. Estava com a expressão de quem engoliu uma mosca. Pensou: "Foi ela quem atacou Matthew — e agora vai sair limpa?"
Henry ainda parecia desconfiado, mas, com as duas moças sustentando a mesma versão, não havia muito o que dizer. Se aquilo pudesse ser tratado como travessura inocente, melhor deixar passar. Afinal, os três já aprontaram muito quando crianças.
Eloise soltou um suspiro discreto de alívio e apressou-se em aparar as arestas. "Vocês já são adultos — e ainda se comportam como crianças. Esse tipo de atitude não pode continuar."
"Sim, mãe", disse Joseph prontamente.
A expressão de Henry enfim afrouxou um pouco. Eloise lançou um olhar a Athena, cujo rosto era indecifrável, e ofereceu um gesto aparentemente gentil: "Que pena da sua mesa. Mandem trazer outra do meu quarto para substituir."
Henry, claramente farto da cena, fez um gesto de dispensa. "Chega. Podem ir."
Com isso, virou-se e partiu, o semblante ainda carregado como nuvens de temporal.
Joseph lançou a Athena um olhar cheio de aviso, cerrou a mandíbula e conduziu Willow para fora, sem outra palavra.
Assim que se foram, o aposento mergulhou no silêncio. O corpo de Athena, que ela sustentara à força até ali, finalmente cedeu. Ela tombou no chão.
Quando tornou a despertar, o cômodo estava impregnado com o amargor do cheiro de ervas medicinais.
Ao lado do leito, Eloise estava sentada, enxugando os olhos com um lenço.
Ao ver Athena desperta, um lampejo de alívio passou por seu rosto. "Athena, você acordou. Sente alguma dor? Algo te incomoda?"
Ela estendeu a mão para tocá-la, mas Athena conhecia o próprio corpo. Estava quebrado havia muito tempo. O chute de Matthew foi só o golpe final.
Athena fitou Eloise com um olhar calmo e distante, os lábios se curvando num sorriso frio e zombeteiro. "Lady Eloise, se tem algo a dizer — diga."

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