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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 127

Catarina e Leon-10

Entrei no casarão. A tempestade de verão fora tão intensa quanto breve. O céu começava a se abrir novamente, revelando manchas de azul entre as nuvens que se afastavam. Mas dentro de mim a tempestade continuava.

Subi as escadas rapidamente com as roupas encharcadas e os cabelos pingando. Entrei no quarto e fechei a porta atrás de mim. Me encostei na madeira fria e fiquei pensando: eu deveria contar a Leon? Mas a resposta veio quase no mesmo instante. Não. Pelo menos não agora.

Eu conhecia Leon e seu temperamento. E sinceramente? Eu não queria lidar com aquilo naquele instante. Tudo o que eu queria era esquecer. Apagar aquele episódio da minha mente e fingir que aquilo nunca aconteceu.

Respirei profundamente e abri o guarda-roupa. Escolhi um jeans confortável, blusa de malha e tênis. Depois sequei os cabelos o melhor que pude e me sentei na beira da cama. Queria ver Leon. Queria ouvir sua voz. Queria sentir seus braços ao meu redor, para que sua presença apagasse toda aquela sensação desagradável.

Olhei para o relógio. Ainda era manhã. Provavelmente ele continuava na associação. Levantei-me, peguei a bolsa, as chaves do carro e desci. Pouco tempo depois eu já dirigia pela estrada de terra e quando cheguei à vila, estacionei na frente da associação, um prédio pequeno e simples, mas importante para toda a região. Leon passava boa parte do tempo ali, ajudando a administrar projetos e resolvendo problemas dos moradores.

Curioso foi que o carro dele não estava ali no estacionamento. Talvez ele tivesse emprestado a alguém enquanto estava na reunião. Saí do carro e sorri ao imaginar sua expressão quando me visse.

Subi os degraus. No caminho me deparei com alguns fazendeiros conhecidos que me cumprimentaram e quando entrei na sala de reunião as poucas pessoas que ainda havia por ali já estavam saindo. Olhei ao redor, mas não havia nenhum sinal de Leon. Foi então que vi Carlão, um fazendeiro vizinho nosso. Ele se aproximou:

— Catarina, você por aqui?

— Oi, Carlão. Como vai? Viu o Leon?

— O Leon já foi.

— Quando?

— Ele só ficou aqui por pouco tempo. Logo recebeu uma ligação e saiu. Disse que precisava ir até o povoado.

— Obrigada. Até mais.

Sorri educadamente virei-me e saí. Mas meu coração já não estava tranquilo. Sentia que algo estava errado, mas torcia para que fosse apenas minha imaginação trabalhando demais.

Liguei o carro pensando qual caminho deveria seguir: se iria para casa ou se procuraria por Leon. O povoado ficava a poucos quilômetros dali e antes que pudesse reconsiderar, já estava dirigindo naquela direção.

A estrada estava movimentada naquele dia. Diversos moradores seguiam para a feira. Havia carroças, motocicletas, caminhonetes, pessoas caminhando. O dia de feira sempre transformava o povoado.

Quando cheguei, o lugar estava cheio de vida. Barracas coloridas ocupavam as ruas. Vendedores anunciavam seus produtos. Crianças corriam entre os adultos. O cheiro de frutas, especiarias e comida se misturavam no ar.

Normalmente eu gostava daquele ambiente, mas naquele momento mal percebia a movimentação ao redor. Meu olhar procurava apenas uma coisa, o carro de Leon.

Dirigi devagar pelas ruas principais. E então vi o carro dele estacionado na frente de um pequeno hotel antigo. Daqueles usados por viajantes que passavam pela região. E naquele momento senti um frio percorrer minha espinha, torcendo para que aquilo não significasse nada. Leon talvez estivesse reunido ali com alguns fazendeiros. Talvez estivesse resolvendo algum assunto de terras.

Estacionei alguns metros adiante e saí do carro. Minhas pernas pareciam pesadas e cada passo exigia esforço. O coração batia rápido demais e eu não sabia por quê.

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