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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 2

Quando entro em casa sinto um vazio no peito tão desesperador, que me dá vontade de voltar correndo pela mesma porta por onde tinha acabado de entrar.

Gino segue na frente e desaparece dentro de casa. Jana entra comigo, deixando a bolsa no sofá, e me envolve num abraço longo.

— Eu fico um pouco — ela diz.

No sofá eu me deito no colo de Jana enquanto ela faz um cafuné na minha cabeça. O som da chuva começando lá fora me deixa ainda mais melancólica.

Quando Jana olha para o celular pela terceira vez, sei que o momento chegou. Ela se levanta, hesitante, me abraça de novo, mais forte.

— Qualquer coisa, me liga. A qualquer hora. Promete? — ela fala enquanto enrola uma mecha do meu cabelo no dedo.

— Prometo — respondo automaticamente.

Jana olha para os lados e abaixa a voz, falando no meu ouvido:

— Por favor, por favor, se cuida, tá?

— Vou me cuidar. — Falo sem nenhuma convicção na voz.

— Tenho que ir agora. O Uber está me esperando.

Vejo-a sair pelo portão correndo porque a chuva está engrossando. Respiro fundo. Agora estou sozinha mesmo.

Gino aparece no corredor como uma sombra.

— Vou fazer alguma coisa para a gente comer — digo, buscando um pretexto, qualquer coisa que me mantenha em movimento.

Eu me afasto e vou para a cozinha. Com mãos trêmulas, começo a preparar o jantar. Então sinto o contato indesejado: o corpo dele roçando no meu de propósito, lento, provocador. Dou um passo à frente, quase derrubando a panela.

— Por favor, fica longe! — digo baixo, a voz falhando.

Ele ri. Um riso curto, sem humor.

— Relaxa. Não fique tão tensa!

Faço tudo muito rápido e ponho a mesa. Jantamos em silêncio e eu mal consigo engolir.

Capítulo-2 1

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