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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 4

Quarenta minutos depois surge uma porteira de madeira alta e larga. Há também um enorme letreiro: FAZENDA PINHEIRO.

Mundico desce, empurra, volta ao volante. E então vejo o casarão. É grande, antigo, com paredes claras. As janelas são altas e a varanda é ampla, espaçosa. Entramos. A cozinha é clara, ampla e arejada. No centro tem uma enorme mesa de madeira maciça acompanhada por cadeiras também de madeira com recosto alto.

Uma mulher está de costas, mexendo numa panela. Quando se vira, encontro um par de olhos vivos. Ela tem cabelos lisos, presos por um lenço colorido, como uma cigana.

— Quitéria — Mundico diz. — Essa moça tá procurando trabalho.

Em seguida, ele olha para mim, sorri e diz:

— Quitéria é minha esposa.

— Muito prazer. Meu nome é Marja — digo e dou um sorriso rápido, de canto de boca.

— Trabalha com o quê? — Quitéria me pergunta.

Antes que eu responda Mundico olha para Quitéria. Percebo um olhar demorado entre os dois, coisa que não consigo entender. Era como se falassem em código através dos olhos. Em seguida Quitéria chama ele no canto e passam a falar muito baixo, sussurrando, Mundico sempre gesticulando com o chapéu na mão. Pelo jeito, estavam discordando de alguma coisa. Teria algo a ver comigo? Fiquei um pouco desconfortável.

De repente Mundico finaliza a conversa com Quitéria, passa por mim e diz quando chega na porta:

— Vou chamar o patrão. Aí a gente vê o que decide.

Ele sai, deixando-me ali, diante de Quitéria. O silêncio é um pouco constrangedor e pesa por alguns segundos. Diferente de Mundico, ela parece desconfiada, cismada; sempre olhando com o canto do olho.

— Você vem de longe — ela diz, não como pergunta.

— Sim — confirmo.

Quitéria espera eu continuar. Como eu não digo mais nada, ela se aproxima, olha para minhas mãos e diz:

— A moça tem mão fina, delicada. Você não costuma trabalhar em roça.

— Sim, é verdade. Eu nunca trabalhei numa fazenda —respondo com um meio sorriso, tentando ser simpática.

— Então, o que uma moça como você está fazendo por essas bandas? — pergunta desconfiada.

Não respondo e ela não insiste. Apenas aponta para uma cadeira.

— Senta, moça. Vou te servir um copo de leite. Você parece cansada.

Ela fica de costas, mexe numa panela, e retorna com o leite no copo. Aceito como quem recebe uma bênção. O leite desce morno, cheiroso e muito gostoso. Meus ombros relaxam, e só então percebo o quanto estava tensa.

— Já, já, tem sopa. Está com fome?

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