Fico parada no banheiro por mais alguns minutos depois que Blake sai, o coração ainda acelerado.
A porta arrombada está com a fechadura torta, um lembrete absurdo do quanto minha vida virou de cabeça para baixo.
Me seco devagar, sem pressa, mas minha cabeça não para, processando a reação dele. Será que isso… foi medo de verdade?
“Foi protocolo”, penso, pegando uma blusa. “Ele levou um susto porque demorei a responder. Qualquer profissional reagiria assim.”
Mas a vozinha que insiste em aparecer nos piores momentos não deixa essa certeza durar muito.
Porque protocolo não explica o café que está sempre pronto quando acordo.
Não explica a presença constante na cozinha enquanto eu trabalho, sem precisar estar lá, sem nenhuma razão de segurança que justifique.
Não explica o jantar de ontem, nem o de anteontem, nem a paciência absurda com que ele me ensina a preparar algo básico sem transformar tudo em um desastre.
Protocolo não cozinha só porque você disse uma vez, quase sem querer, que acha o tempero dele um dos melhores que já provou.
Sento na beira da cama, com a blusa na mão, e fico olhando para o chão por um momento.
Não pode ser só fantasia minha. Não pode ser só coisa da minha cabeça. Pode?
Me levanto, visto a blusa e saio do quarto antes que minha mente decida me convencer de que é mais fácil não falar nada.
Quando finalmente chego à sala, Blake está em pé perto da janela, com os braços cruzados e o corpo visivelmente tenso. Ele me olha ao me ouvir, mas não relaxa completamente.
— Desculpa. Eu realmente não ouvi você chamar — começo, me aproximando devagar. — Estava com a música alta e… me distraí pensando em outras coisas.
Paro a alguns passos de distância, enquanto ele me encara por um segundo longo demais.
— Quarenta minutos, Sophia. Fui chamado aqui porque o Miller bateu na porta e você não respondeu — responde, soltando o ar com força.
Blake passa a mão pela nuca, claramente tentando dissipar a adrenalina.
— Quando te chamei e você não respondeu, não pensei, só agi — ele continua, em tom baixo. — Porque achei que alguma coisa tinha acontecido. Que ele tinha conseguido entrar de alguma forma porque eu falhei.
— Você não falhou — murmuro, quase envergonhada pela situação. — Só… perdi a noção do tempo.
— Você está bem? — pergunta, mais calmo. — Tem alguma coisa errada? Minha presença aqui está te incomodando de novo?
— Não é isso.
— Então, o que é?
Fico em silêncio por um segundo. Olho para ele, para a tensão ainda visível no maxilar, para a forma como me encara como se a resposta realmente importasse.
— Eu precisava colocar a cabeça em ordem — digo, por fim. — Essas duas semanas têm sido… diferentes. E eu precisava pensar direito, longe de você, porque quando você está perto fica mais difícil.

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