“Lucas Sinclair”
O whisky desce queimando, mas não é o suficiente para apagar a imagem de Ivy saindo do quarto naquele vestido, vestida para outro homem.
Passo a mão pelo rosto, apoiando os cotovelos no balcão do pub enquanto Owen me observa do outro lado, já na segunda dose.
— Então — ele começa, girando o copo. — Vai ficar aí se martirizando a noite toda ou vai me contar o que está acontecendo?
— Nada está acontecendo — respondo, seco.
Fico em silêncio, dando mais um gole no whisky. A última coisa que quero é aguentar as provocações de Owen.
— Bem, já que você não quer falar, eu falo — ele continua, se inclinando sobre o balcão. — Sabe quem me ligou? Camille.
— Camille?
— Sim, a acompanhante que gentilmente disponibilizei para você em Boston — responde, erguendo a sobrancelha. — Ela disse que você recusou os serviços dela. O que, convenhamos, é muito estranho vindo de você.
— Não estava com cabeça para foder ninguém.
— Sem cabeça? — Ele repete, incrédulo. — Lucas, você me disse que ia para Boston para espairecer. E quando eu te ofereço exatamente o que você sempre usou para… aliviar sua tensão, você recusa?
— As coisas mudaram.
Owen solta uma risada curta, debochada.
— Ah, claro que mudaram — diz, se recostando na cadeira. — E o nome da mudança começa com I e termina com vy, certo?
Ele balança a cabeça, como se já soubesse a resposta.
— Sabe, pelo que me lembro, a última vez que conversamos sobre você e a sua babá, você disse que era só tesão — continua, apontando o copo na minha direção.
Balanço a cabeça, irritado.
— E é — minto, rápido demais. — Só atração acumulada. Desejo. Frustração sexual. Nada além disso.
Owen me observa por um longo momento e, então, solta uma gargalhada.
— Não fode, Lucas. Se fosse só isso, você não teria dispensado a acompanhante que te arrumei.
Desvio o olhar para o copo, sem querer encará-lo, ou ele vai saber que está certo.
Porque admitir isso… é admitir que perdi o controle. Que Ivy virou algo que não planejei, não esperava e, agora, não sei como lidar.
— Mesmo que não seja — murmuro, por fim. — Não muda nada. Ivy está lá, jantando com o Eric. E eu estou aqui, feito um idiota, bebendo sozinho.
— Estou aqui — corrige, levantando o copo. — E, sabe, acho que devo te dar um conselho que nunca te dei.
— Não preciso dos seus conselhos.
— Precisa, sim. Porque já são cinco anos te vendo preso a um casamento que não te faz feliz, Lucas. Vivendo com uma mulher que você não ama. Vivendo uma vida de obrigação, não de escolha.
— Foi a escolha que fiz — resmungo, amargo. — Pelo bem dos negócios.
Owen solta um suspiro pesado, como quem já ouviu essa desculpa vezes demais.
— Toda vez que você fala isso, parece que está tentando convencer a si mesmo, não a mim — diz, mais sério agora. — Alguma vez você já se perguntou se vale a pena continuar nessa vida robótica? Se vale a pena seguir eternamente o que esperam de você?
— E o que você sugere que eu faça? — rebato, irritado. — Que simplesmente abandone tudo? Os negócios, nossas famílias, todo o acordo… só porque estou infeliz?
— Não — ele responde, firme. — Sugiro que você pare de viver pela expectativa dos outros e comece a viver pela sua. Porra… você tem trinta e quatro anos. Tem uma empresa, tem dinheiro, tem tudo o que planejou quando aceitou esse casamento. Mas você é feliz?
Fico em silêncio.
Porque a resposta é não.


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