“Sophia Sinclair”
O tempo para, mas não de um jeito dramático, não como nos filmes.
Para de verdade, como se o cérebro se recusasse a processar tudo de uma vez e escolhesse desacelerar cada detalhe separadamente.
O braço de Simon apertando meu peito.
A arma saindo da minha têmpora.
Os olhos dele, que já não têm mais nada da calma calculada de antes, fixos no Blake com um ódio que não cabe mais dentro da fantasia que construiu.
— Tarde demais para novas escolhas.
O dedo dele se move no gatilho. O som do primeiro disparo é ensurdecedor em um espaço fechado.
— Não! — O grito sai antes que eu consiga pensar, mas já não há mais tempo para nada.
Meu coração para quando vejo Blake cambalear para trás. Antes que seu corpo sequer toque o chão, a janela se estilhaça, com outro disparo vindo de fora, de longe, preciso demais para ser acidente.
O aperto em volta do meu peito afrouxa de uma vez, e o peso de Simon desaba atrás de mim, trazendo um silêncio absurdo consigo.
Não olho para ele. Nem por um segundo.
Por um instante, não me movo. Meus olhos permanecem fixos em Blake caído no chão, enquanto meu cérebro leva mais de meio segundo para processar a cena.
Ele está… imóvel.
— Blake!
Mal ouço minha própria voz. Só sinto a garganta ardendo enquanto cruzo a sala e me jogo de joelhos ao lado dele.
Minha mão vai direto para o peito dele, depois para o ombro, onde a manga da camisa branca está ficando vermelha rápido demais.
Sangue.
— Não. Não, não, não — murmuro, pressionando as mãos contra o ferimento por instinto, com o coração batendo tão forte que parece que vou desmaiar.
Ouço os homens se movimentando atrás de mim. Vozes, comunicadores, passos rápidos em direção ao Simon.
Tudo isso existe em algum lugar distante, em algum plano paralelo onde as coisas ainda fazem sentido.
Aqui, só existe ele.
O sangue continua vindo por baixo das minhas mãos, quente demais, e sinto o estômago virar.
— Blake! — exclamo, apertando o ombro dele com uma das mãos enquanto coloco a outra no rosto dele. — Não faz isso. Abra os olhos. Agora!
Ele não responde.
Inclino meu rosto na direção do dele, soltando um suspiro levemente aliviado. Ele está respirando, mas os olhos continuam fechados, e isso é pior do que qualquer coisa que Simon poderia ter me feito.
— Você não pode fazer isso — digo, trêmula demais, desesperada demais. — Você me disse que ficaria. Você prometeu que, quando tudo isso acabasse, ficaria comigo. Não ouse quebrar essa promessa agora, Blake Reeve. Não ouse!
Minha voz vira um soluço. Encosto minha testa na dele, sentindo o calor ainda presente, sentindo sua respiração fraca contra minha pele.
— Eu te amo, seu idiota… Eu te amo. Por favor, não me deixe sozinha agora. Por favor…

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