Quando a medicação acabou, Lorence examinou brevemente Sara, então a receitou um medicamento para enjôo, tendo em vista que as vitaminas que estava tomando estavam lhe deixando enjoada. Dentro do carro junto a Tyler, o silêncio mais uma vez imperava, ela o olhava meio sem jeito, buscando entender as faces daquele homem, sendo que nem mesmo conhecia todas. Tyler parou em frente a uma farmácia, iria comprar o medicamento receitado por Lorence, mas antes de sair, Sara lhe falou.
– Tyler…pode comprar uma coisa pra mim?
– claro, o que é?
– bem…é absorvente e outra coisa. – disse ela sem graça, chegando até mesmo a ficar com as bochechas coradas.
– melhor você mesma escolher, eu não entendo disso, vamos. – disse ele, logo em seguida saíram do carro juntos e entraram na farmácia, bem na entrada, Tyler pegou uma cesta e entregou a Sara. – pegue o que quiser e precisar, você não levou muita coisa, acredito que deve estar precisando de algo. – ela assentiu, então saiu em busca de tudo que precisava. Após ter pego tudo que estava precisando, Sara seguiu junto a Tyler até o balcão, mas pelo caminho ela avistou um freezer, cheio de potes de sorvete e picolés, ela delicadamente segurou a mão de Tyler e perguntou.
– Tyler, posso pegar um picolé?
– claro. – disse ele, ela foi animada, logo escolheu um picolé de baunilha, em seguida foram até o caixa onde Tyler pagou pela compra, com as sacolas em mãos, eles caminhavam em direção a saída, ele a frente, Sara logo atrás, se deliciando com seu picolé, quando de repente escutou algo extremamente desagradavel.
– olha, ela chupa bem. – disse aquele homem em um tom malicioso, ao se dar conta de que aquele homem se referia a ela, Sara apressou o passo se aproximando de Tyler, que já olhava aquele homem com ódio nos olhos.
– o que disse seu imundo? – ele perguntou entre dentes.
– nada demais…
– eu ouvi muito bem o que você disse, experimenta dizer mais uma asneira dessas pra minha esposa e você vai…
– Tyler, vamos…– Sara pediu já assustada.
– tudo bem. – disse ele, então seguiu junto a ela.
– o que será que está havendo com o mundo pra ter tantos homens imundos? – disse ele jogando as compras no banco de trás.
– deve ter sido a roupa, ou forma que estava tomando o picolé…– ela disse aflita, mas Tyler a interrompeu, falando de forma um tanto enraivada
– nunca mais diga isso, nunca mais tente justificar as atitudes desgraçadas de um homem, você poderia estar até pelada, aquele homem não tinha o direito de dizer aquilo, nenhum tem o direito de coisas desse tipo, tampouco de tocar sem consentimento.
– agora sim ele jamais será uma ameaça para Sara, quando o processo acabar, peça que coloquem as cinzas do infeliz na urna mais barata que tiver, ele não merece nada, só não vou mandar que joguem no lixo pois tenho um plano muito melhor.
– como queira chefe.
– odeio quando me chama assim.
– trabalho é trabalho, amizades à parte, chefe. – Patrick disse em um tom divertido.
– ah, entendi, está quase bêbado, levou mais um fora do Lorence? – Tyler perguntou, então escutou um suspiro de Patrick.
– amanhã conversamos, eu vou terminar de encher a cara, pra ver se a desgraça alheia me faz esquecer minha própria desgraça.
Após a ligação com Patrick, Tyler foi para seu quarto, estava pensativo, contar ou não a Sara? ele sabia que tinha que contar, mas ao pensar bem, viu que havia um momento certo e não era aquele.
– Ah Sara, que triste destino você teve até aqui. – ele disse a si mesmo, em seguida fechou os olhos, no mesmo instante lhe veio à mente as lembranças de Sara na clínica mais cedo, lhe olhando no fundo dos olhos, havia algo nela que o cativava mesmo sem perceber, era como se em silêncio ela clamasse pela atenção, pelo carinho dele, e ele ainda sem perceber estava se rendendo a isso, mesmo tendo jurado que jamais iria nutrir sentimentos por alguma mulher.

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