O banheiro corporativo da Essência Cosméticos era tão extravagante quanto o resto da empresa, mármore branco, iluminação indireta, torneiras de acabamento fosco. Mas Marina não estava em condições de apreciar o design de interiores.
Estava encolhida perto do secador de mãos, tentando desesperadamente secar a jaqueta jeans encharcada.
O barulho era ensurdecedor. O ar quente fazia seus cabelos voarem em todas as direções. E a água - a maldita água - parecia se multiplicar a cada segundo que passava.
- Você é a pessoa mais desastrada do mundo - Clara disse, encostada na parede de mármore, os braços cruzados. - Primeiro dia de trabalho, e já se meteu em uma cena dessas.
- Não foi minha culpa, foi só um pequeno acidente - Marina gemeu, ainda esfregando a jaqueta sob o jato de ar quente.
- Não foi sua culpa? Você andou em linha reta em direção a uma parede de vidro!
- Eu não vi o vidro!
- É tudo transparente! O que você queria ver? Uma placa piscando "cuidado, parede"?
Marina calou-se, porque a irmã tinha razão. E odiava quando Clara tinha razão.
O pior de tudo não era o constrangimento. Não era a roupa molhada. Não eram os copos descartáveis espalhados pelo chão.
O pior de tudo era ele.
Gustavo.
Ela não sabia explicar, mas quando ele a chamou de "tonta" - aquela tonta - uma irritação estranha se instalou em seu peito. Uma irritação que não vinha do acidente. Vinha de algo mais profundo, algo que ela não queria investigar.
- E aquele desalmado me chamou de tonta - ela soltou, sem perceber que falara em voz alta.
- Quem?
- O... o grão chefe. Você não sabe quem é?
Clara arqueou uma sobrancelha.
- Ele te chamou de tonta?
- Disse "alguém vai ajudar aquela tonta". Eu ouvi.
- E você está irritada com isso?
Clara sorriu sem se conter.
- Clara.
- Tá bom, tá bom. - Clara suspirou, coçando a nuca. - Olha, eu sei que ele é... difícil. Mas ele não está errado, Marina. Você foi tonta. Quase se machucou feio.
Marina não respondeu.
- Você vai acabar com a minha reputação aqui - Clara continuou, o tom de reclamação já mais leve. - As pessoas vão me conhecer como "a irmã daquela tonta".
Marina sacudiu a jaqueta na direção da irmã.
- Que grande reputação você tem? A chatonilda? - Marina continuou sacudindo a jaqueta enquanto Clara se esquivava. - Foi só um pequeno acidente.
- Foi só um pequeno acidente que metade da empresa viu.
- Metade, não?.
- A sala de reuniões estava lotada, Marina. Lotada. Diretores, coordenadores, assistentes. Até o segurança que ficou do lado de fora viu.
Marina enterrou o rosto na jaqueta molhada e gemeu.
- Eu quero morrer.
- Depois você morre. Agora vamos secar essa roupa.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....