Helena entrou no quarto antes de eu conseguir me levantar da cama.
Ela estava segurando um cabide com uma capa de proteção. O logotipo de uma grife que nem imaginava o significado.
— Bom dia. O senhor Blanc escolheu pessoalmente. E pediu para que eu a alertasse. Sem sutiã e sem calcinha. Usará apenas o vestido essa noite.
— Por quê?
— Porque o senhor Blanc ordenou.
Tentei reclamar, mas a lembrança da noite anterior me fez calar.
— Vou tomar um banho.
— O senhor Blanc disse que te quer com o cheiro dele. Sem maquiagem ou perfume. Só o vestido.
Respirei fundo e soltei um riso irônico.
— Você com certeza era para ser a empregada da minha irmã.
— Isso foi um elogio? O senhor Blanc sempre falou muito bem da senhorita Suzanna.
— É... eu quis dizer que vocês se merecem.
A seda gelada deslizou pela minha pele, a mesma que havia ficado quente por estar colada a Noah.
O que pareceu perfeito quando acordei, agora parecia feder.
— Maldito bastardo.
— O que disse, Senhora?
Fechei os olhos por um segundo antes de responder.
— Falei sozinha, Helena.
Eu me sentia ridícula naquele vestido. O decote descia até o meio da minha barriga, e a fenda na saia longa era tão alta que bastaria eu caminhar para que qualquer pessoa percebesse que eu estava sem calcinha.
— Não posso sair assim.
— Não pode sair de outro jeito. O senhor Blanc não lida bem com negativas.
Helena prendeu meu cabelo tão apertado que meus olhos ficaram puxados.
De repente o celular da assistente tocou. Percebi o desconforto de Helena, mas ela confirmava que seria feito. Nada além disso.
Quando desligou o aparelho ela tentou sorrir.
— O senhor Blanc mudou de ideia quanto a maquiagem.
Helena abriu a porta e duas moças entraram carregando maletas prateadas enormes. Começaram a passar coisas em meu rosto enquanto meus olhos ardiam.
Quando saíram e eu me olhei no espelho, a imagem refletida não se parecia comigo.
O batom cor de sangue estava tão forte que o centro da minha boca beirava o preto. Os olhos marcados por uma sombra escura com dourado que me fazia parecer uma garota de programa.
Aquilo no espelho não era eu. Era uma boneca de luxo fabricada por Noah Blanc.
Em seguida, os sapatos altos e a ordem bizarra.

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