Um choque percorreu o meu corpo inteiro. O hálito quente de Noah arrepiou minha pele.
Odiava o que aquele homem me fazia sentir.
— Não vou usar as joias da sua amante, Noah.
Ele deu risada, envolveu o meu corpo e se pressionou contra mim. A mão alcançou o meu seio e não soltou.
— Então vai tomar o lugar dela?
— Nã... não.
Eu não queria gaguejar, mas foi impossível evitar quando Noah segurou meu mamilo entre os dedos e apertou de um jeito que fez a umidade se construir em mim como uma resposta vergonhosa ao que ele me fazia sentir.
— Precisa aprender muito ainda. Você não está mais no confessionário, ainda que eu imagine o que andou fazendo com essa boquinha linda. Sorte do padre.
— Noah!
Nem sei por que aquilo me fez reagir. Eu não era nenhuma freira, apesar de ter ficado presa naquele colégio por quatro anos.
Só pareceu tão errado que me embrulhou o estômago.
Já ele gargalhou enquanto se afastava. Abriu um cofre e pegou uma caixa de veludo azul.
Uma joia simples, mas com um recado gritante.
Pendurada na gargantilha havia uma pequena algema. Os brincos repetiam a ofensa.
— Disse que me mostraria como a senhora Blanc deve se portar. Isso aqui é ridículo. Vão debochar de você. Por favor.
— Não se preocupe, Aurora. Eu vou te apresentar aos meus amigos como o que você é. Sem mentiras dessa vez. Sua irmã já fez o papel de santinha. Agora vamos mostrar quem são as mulheres Swtz.
Fomos para um restaurante privado no topo de um prédio comercial. Ele não estendeu a mão para que eu descesse do carro. Seguiu na frente.
O lugar cheirava a fumaça, charuto e perfume. Homens muito mais velhos do que Noah pararam de conversar assim que ele entrou.
— Senhores! Observem.
A forma como aqueles homens olharam para mim fez eu me sentir um pedaço de carne em exposição. Estava ridícula e tudo em mim gritava algo que eu nunca fui, uma cópia de Suzanna. Tentei voltar para o carro, mas Noah me segurou pelo braço e avisou baixo.
— Obediência é a sua única chance de continuar viva. Aconselho pensar nisso antes de brincar comigo.
— Noah, por favor. Eu não sou como a minha irmã.
— Ah, claro que é! Prometo que não vai fazer nada que já não tenha feito de joelhos.
Os dedos em torno do meu braço estavam tão apertados que meu sangue parou de correr naquela região.
Sentamos em uma mesa redonda onde quatro homens já bebiam uísque. Eles me olhavam como se eu realmente fosse o prato que seria servido após um longo período de fome.
Um deles, um homem gordo com um anel de ouro maciço, não disfarçou o interesse.
— Quanto pagou por essa joia, Blanc?

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