— E você vai?
— Sua irmã não é como você.
— Sei disso!
— Você quer sexo. Ela acha que a boca no meu pau me faz querer pagar por mais. E eu não compro objetos usados. Por isso é você que está nessa casa e não ela. Lembre-se disso.
O nome de Suzanna me incomodava tanto quanto ouvir o homem que tinha se tornado meu marido falar sobre as coisas que minha irmã fazia com ele.
Noah entrou no escritório e bateu a porta.
Minha reação foi quase infantil, segui o homem que tinha acabado de me rebaixar como se eu fosse realmente um animalzinho que a família Blanc alimentava.
Abri a porta do escritório já com a voz alterada pelo ódio que Suzanna provocava em mim.
— Você não vai dar nada para ela!
Eu queria que ele me ouvisse.
Não porque eu me importasse com dinheiro. Sabia que qualquer quantia que Noah desse a ela seria só um grão de areia perto de tudo o que a família Blanc possuía.
Era ciúme.
Um sentimento que eu me recusava a assumir, mas que estava me consumindo por dentro.
— Eu faço o que eu quiser, Aurora. Você não dá ordens nesta casa. Você é o pagamento, não a sócia.
— Eu posso ser mais do que isso.
Noah ergueu a cabeça e gargalhou antes de se levantar e vir até mim. Acariciou o meu rosto e naquele instante eu acreditei que ele me enxergasse.
Senti a mão grande em minha cintura e o passo que dei colando o meu corpo ao dele não foi porque Noah quisesse. Eu sentia falta do calor dele em mim.
— Noah, eu posso...
Outra risada, dessa vez mais contida.
— Você acha que um pouco de umidade entre as pernas te dá o direito de negociar comigo? Você é uma criança brincando de ser mulher.
Ele me soltou antes de terminar.
— E nem é bonita o bastante para que um homem perca a cabeça por você. Talvez devesse dedicar mais tempo em frente do espelho do que se oferecendo para mim.
Travei meus dentes com tanta força que meu maxilar doeu. Eu me sentia pequena, estúpida por achar que Noah Blanc respeitaria alguém que não fosse a si mesmo.
Meus olhos estavam cheios de lágrimas quando ele terminou.
— Nova regra. Você não fala mais sobre finanças. Você não fala sobre Suzanna. A partir de amanhã, você só sai do quarto com a minha permissão. Sua rotina será decidida por mim, hora por hora. Inclusive se come e o que come.
— Você não pode me trancar.
Deitei nua como ele havia ordenado. Parte porque eu precisava fingir aquela submissão que meu marido buscava... e parte, a que mais me envergonhava, porque eu havia gostado de dormir sentindo o corpo dele em mim.
Esperei sozinha até que o cansaço me vencesse. Acordei sozinha quando um raio de sol entrou pela janela e bateu em meu rosto.
Procurei em volta, coloquei a mão sobre o travesseiro dele.
Não havia o calor e nem o cheiro dele. Coloquei uma roupa e desci. Nem sei se estava com medo ou ciúme, mas a ideia de que o meu marido tinha dormido fora me irritou ao ponto de me fazer questionar Helena.
— Bom dia, senhora Blanc.
— Cadê meu marido, Helena?
— No escritório. Mas não deve ir até lá. O senhor Blanc não gosta de ser interrompido quando está com a senhorita Nunes.
— Pois isso acabou de mudar.
Saí sem esperar pelos argumentos da mulher que deveria agir como minha assistente, mas era só mais uma pessoa seguindo as ordens de Noah como um zumbi sem vontade própria.
Girei a maçaneta robusta e forcei a madeira com o corpo. Estava trancada.
Atrás da porta, a voz da assistente de Noah soava sussurrada.
— NOAH! ABRE ESSA PORTA. O QUE ESTÁ FAZENDO AÍ?

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