— Pai, precisamos conversar.
Minha voz saiu decidida, mas confesso que o meu coração batia como se desejasse abandonar o meu peito.
— Acredita no seu pai, não acredita, minha filha?
— Não tem como eu duvidar do que estou vendo, tem?
— Filha, eu te amo, minha linda.
O abraço do meu pai queimava como se eu estivesse presa em correntes em brasa, o ódio que eu sentia por ele quase fez com que o plano fosse por água abaixo.
— Solta!
Me afastei de uma vez. O rosto do meu pai se contorceu por alguns segundos, mas assim que eu voltei a falar ele começou a sorrir.
— Aurora?
— Quero fundir os negócios dos Swtz aos dos Blanc. Quero que o nome de Noah se torne perpétuo. Me ajuda, pai? Não importa o que ele fez, só quero que o meu marido seja reconhecido como o homem que eu acreditava que ele era.
O sorriso do meu pai soou quase como uma ofensa. Ele não se importava com qual marca iria ganhar dinheiro, só conseguia enxergar a possibilidade de enriquecer ainda mais.
— Claro, filha. Vamos fazer com que Noah Blanc seja reconhecido como o maior empresário do mundo!
Não resisti e acabei provocando.
— Achei que o senhor não gostasse dele.
— Que isso, filha. Eu não tinha nada contra o seu marido, o que aconteceu entre ele e eu ficou no passado.
— Obrigada.
Eu não conseguia continuar com aquela palhaçada e quando a náusea voltou, Antônio olhou para mim desconfiado.
— Está grávida de novo? Aquele… Noah te engravidou, filha?
A raiva com que o meu pai fez aquela pergunta me fez recuar. Dei dois passos para trás até me chocar contra a parede.
— O quê? Não! Eu não… eu.
A dor da noite em que o meu filho morreu dentro da minha barriga voltou com força e por isso não consegui terminar de falar. Antônio continuou me olhando.
Mas os olhos dele não estavam em mim. As retinas brilhavam fixas na minha barriga, quase como se ele quisesse enxergar através da roupa. Como se procurasse alguma coisa que só ele podia ver.
Aquilo foi tão estranho que até a tristeza se esvaiu dando lugar a curiosidade. Meu pai nunca tinha se importado com nada que estivesse relacionado a mim. Agora olhava para minha barriga com ódio.
Coloquei as duas mãos na barriga. Proteger algo que não existe pode parecer maluquice para qualquer um.
Mas não para uma mulher que perdeu o filho.
— Não estou grávida.

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