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A Esposa Errada do Bilionário Casada por Vingança romance Capítulo 92

O rosto de Antônio se tornou uma máscara de raiva e surpresa. Ele simplesmente se afastou. Saiu sem nem uma palavra.

Assim que a porta se fechou tudo ao meu redor se fez um tornado.

Eu não sabia para onde ir ou o que fazer.

Corri para fora com a sensação de que se eu ficasse mais um único segundo ali tudo acabaria se desfazendo dentro de mim.

Bati em um rapaz de roupas verdes e cabelos que pareciam insistir em sair da espécie de touca que usava.

— Desculpa.

Ele me segurou e quando o impacto dos músculos contra o meu corpo se dissiparam eu quase perdi o ar.

Era realmente lindo.

Não bonito como Noah, ainda assim, bem mais bonito do que todos os homens comuns.

— Cuidado, menina. Pode precisar de um médico se continuar correndo assim. Eduardo Carrury. Cardiologista, mas posso me especializar em ortopedia se continuar se ferindo assim.

— Onde…

Acho que fiquei sem reação por alguns segundos…

— Na minha casa ou na sua. Você escolhe.

— Quê?

O rapaz começou a dar risada e se corrigiu.

— Nada. O que precisa?

— Lanchonete, por favor.

Ele me apontou um corredor e eu caminhei meio sem reação até o local indicado.

Parei em frente a um expositor de bebidas. Fiquei olhando por alguns minutos até que uma voz me chamou de volta à realidade.

— Posso te ajudar?

A moça repetiu a pergunta três vezes até que eu conseguisse olhar para trás.

— Uma água, por favor.

Peguei a garrafa e voltei para o quarto.

A luz tinha mudado quando abri a porta.

Não era mais aquele branco que irritava os olhos, mas um tom mais suave que vinha da janela, como se o mundo lá fora tivesse decidido continuar mesmo com tudo o que tinha acontecido.

Eu não sabia quanto tempo fiquei sentada no corredor tentando organizar a minha mente, mas quando entrei de novo, alguma coisa estava diferente.

Me aproximei devagar, como se qualquer gesto mais brusco pudesse quebrar o pouco de estabilidade que tinha voltado a existir naquele espaço.

A mão de Noah ainda estava no mesmo lugar, o peito subindo e descendo e a palidez no rosto forte que mostrava uma vulnerabilidade que me matava assistir.

Abaixei e depositei os lábios sobre os dedos longos de Noah.

E foi na minha boca, embaixo do meu beijo que os dedos se moveram devagar.

O suficiente para fazer o meu coração bater mais forte do que deveria.

— Noah…

Falei baixo, me aproximando mais, puxando a cadeira sem fazer barulho, como se o som pudesse afastá-lo de mim outra vez.

Os olhos dele se abriram lentamente, pesados, como se voltar exigisse mais esforço do que qualquer coisa que ele já tivesse feito. Por um segundo ele não focou em nada, apenas respirou, absorvendo o próprio corpo, e então me encontrou.

E ficou.

— Demorou.

A voz saiu rouca, baixa, mas carregava aquela ironia leve que sempre vinha antes de qualquer coisa mais séria.

Eu sorri sem perceber.

— Você que resolveu tirar um cochilo no meio do dia.

Ele tentou mover o corpo e travou, sentindo a dor chegar antes de qualquer reação.

— Não recomendo.

Apertei a mão dele com cuidado.

— Fica quieto.

— Você mandando em mim… isso é novo.

Inclinei o corpo um pouco mais perto, ajustando o travesseiro atrás da cabeça dele sem pedir permissão, como se já soubesse exatamente o que ele precisava.

— Você quase morreu.

Ele me olhou em silêncio por um segundo, como se estivesse avaliando aquela frase de um jeito diferente.

— Não morri.

— Não porque quis.

A resposta saiu mais firme do que eu pretendia, e ele percebeu.

Sempre percebia.

Os olhos dele suavizaram de um jeito que não acontecia com mais ninguém.

— Você está bem?

A pergunta veio direta, sem desvio, e foi isso que me desmontou de um jeito silencioso.

Assenti.

— Estou.

Ele não acreditou.

Mas não insistiu.

A mão dele se mexeu devagar até encontrar a minha, entrelaçando os dedos com uma firmeza que não combinava com o estado dele, como se precisasse confirmar que eu ainda estava ali.

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