Os pensamentos estavam fluindo em todas as direções, ela não conseguia formular uma resposta sem parecer uma idiota. E nesse momento, Lucila sentiu a mão quente apertar sua cintura, tocando a pele exposta de suas costas. A pouca concentração que reuniu, foi pelos ares, ela olhou para o seu colo, temendo que todos vissem seu arrepiar, seu rosto escaldante, de tão quente.
- Vou entender isso como um sim. – ele sussurrou novamente. – Precisa se recompor, princesa. Você está gelada.
Como se não bastasse aquela voz tão perto, tão íntima, ele passou a mover o polegar suavemente na base da coluna dela, esfregando levemente, como se para aquecê-la.
- Lucy? – a voz de seu pai chamando por ela, fez Lucila dar um pulinho na cadeira.
O som da risada de Vitório povoou seus ouvidos. Ele estava se divertindo às custas dela? O que ele pretendia com aquilo? Era um castigo por ela ter sido tão tola a ponto de avançar nele como uma mulher sem classe?
- Você ouviu o que eu disse, filha? – Hermes perguntou, com uma expressão afável.
Os convidados voltaram a atenção para ela, esperando por sua resposta, um frio na barriga se apossou de seu ventre. Lucila olhou para todos confusa. Não fazia ideia do que estavam falando, toda a sua atenção estava em Vitório, e na palma quente em suas costas, deixando sua pele eriçada.
- Acho que ela estava perdida em pensamentos, Hermes. – Vitório disse num tom insondável, seu olhar fixado nos dela. – Não é isso, Lucila?
O dedo indicador dele desenhou o contorno das vértebras de sua coluna, bem devagar. Lucila engoliu em seco, o rosto mais vermelho que a lagosta servida anteriormente.
Ela desviou os olhos acenando em concordância para o seu pai.
Hermes sorriu, comentários gentis e frases de efeito seguiram a reação de seus pais.
- Seu pai sugeriu que concluam a cerimônia no terraço. Tudo já foi preparado para o brinde. – Amanda, sua mãe explicou.
Ela olhou para ele, envergonhada, temendo que as pessoas soubessem como ela estava se sentindo, como o toque de Vitório estava transformando seus nervos em uma poça derretida aos pés dele.
- É claro. Será muito agradável. – Vitório concordou com um sorriso ensaiado.
Todos começaram a se levantarem. Antes que ela pudesse fazer o mesmo, ele cobriu a mão dela com a dele.
- O que você fez lá fora foi muito perigoso princesa. – Vitório observou seu corpo tenso, e segurou a mão dela para ajudá-la a se levantar. – Agora que sabe o quanto eu posso deixá-la desconfortável na presença das pessoas, não me provoque novamente. Seja a boa menina de sempre, e nos daremos muito bem.
Se estivesse de pé, certamente nesse momento estaria protagonizando uma cena ridícula, pois suas pernas simplesmente amoleceram ao ouvir aquelas palavras.
A escolha de Vitório não era apenas uma joia, era uma declaração silenciosa da grandiosidade de sua influência, de sua força. A peça tinha um design único, ela o reconheceu. Era uma criação de um joalheiro europeu renomado, especializado em lapidações raras personalizadas.
Feito em platina pura polida à mão, seu brilho era discreto, mas imponente, como seu próprio noivo. No centro, um diamante azul intenso, raro e valiosíssimo, reluzia como um fragmento de céu noturno cristalizado, não apenas pelo valor material, mas pela simbologia.
Eles eram da mesma cor dos olhos de Lucila, era como se na escolha desse anel, ele dissesse o quanto estava determinado a mostrar ao mundo o quanto ele pensava nela.
O diamante era um oval lapidado com maestria, sustentado por quatro garras minimalistas, que o deixavam quase flutuando acima da aliança. Ao redor da pedra principal, uma aura delicada de micro diamantes brancos incrustados em formato de um halo sutil, como estrelas orbitando um astro maior. As laterais do aro traziam um entalhe quase invisível, com um padrão em relevo inspirado em notas musicais. Era um detalhe íntimo, esculpido exclusivamente para ela, como o segredo que existia somente entre os dois.
Lucila prendeu fôlego quando a peça foi retirada da caixa.
Quando Vitório retirou o anel da caixa, ele não disse muito. Apenas o deslizou no dedo anelar de Lucila, segurando sua mão com uma firmeza reverente. Seus olhos se encontrando um no outro. Quando os aplausos explodiram ao redor dos dois, ele beijou sua face suavemente, e antes de se afastar, ele disse só para ela ouvir.
- In silentiis, te elegi. – a fonética perfeita do latim retumbou em seu coração, junto ao poder daquelas palavras.
“No silêncio, eu escolhi você.”

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