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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 13

Vitório

O dia estava fresco e não havia sol. Ele cruzou os imensos corredores do suntuoso hall de entrada da Acrópole como quem atravessa um campo de batalha, firme, ereto, intocável.

O terno negro cortava sua silhueta alta com sobriedade, e os sapatos impecavelmente engraxados não emitiam um ruído sequer sobre o mármore polido. Os olhares de cobiça das recepcionistas e outras colaboradoras não causavam mais nenhuma emoção em Vitório.

Antes, quando ainda era ele mesmo, achava aqueles olhares e sorrisinhos disfarçados, divertidos. E costumava flertar com algumas delas com um simples cumprimento ou um meio sorriso.

Mas agora, isso era só a reação vazia de pessoas que se apegavam a sua aparência e status.

Com a expressão fechada que se tornou sua máscara intransponível, ele subiu ao último andar, já prevendo a animosidade disparada diretamente por seus irmãos.

A decisão de retornar à Acrópole depois do que causou a holding, não foi dele. Foi mais uma exigência disfarçada de pedido do seu pai. No mesmo dia em que ficou noivo de Lucila, seu pai comunicou que ele deveria retornar à holding.

Vitório olhou para sua imagem no elevador presidencial. Praguejou interiormente. Se sentia privilegiado pelo perdão de seu pai, mas não queria ter que lidar com seus irmãos mais novos tentando dobrá-lo no mundo corporativo.

Foi ele quem se preparou para assumir esse império, foi ele quem fez diversos MBA, se desgastou de trabalhar ao lado de seu pai desde os dezessete anos. Não foi Ícaro e nem Alberto quem abriu mão das noitadas, das viagens de fins de semanas com amigos. Não foi eles quem deu tudo de si para se tornar capaz como seu pai.

Mas agora, por causa de uma mulher, ele teria que se curvar aos dois. Ou pelo menos a Ícaro, que ocupava o cargo de presidente desde que a Acrópole colapsou.

O lobby da presidência é amplo, elegante e silencioso. Ele sentia falta desse lugar, mas não tinha para quem dizer isso. Acenou para Daniela, a secretária de seu irmão e continuou seu caminho até a sala dele.

Bateu firme na porta, e depois de uma resposta positiva, adentrou a enorme sala que ele havia usado anteriormente.

Ícaro o aguardava em pé, atrás da ampla mesa de carvalho que foi um presente de um aristocrata holandês para o pai deles. A luz é filtrada pelos vidros das janelas panorâmicas, desenhando sombras sobre o rosto tenso do atual CEO geral. O ambiente exalava poder, mas também havia uma tensão densa, carregada de silêncios velados.

— Aprendi com o melhor — devolveu Ícaro, sem sorrir. – Você sempre teve um paladar muito exigente.

O silêncio pairou entre eles como uma lâmina invisível.

— Você voltou — constatou Ícaro por fim. — E há muito trabalho esperando. Não vou fingir que é fácil para mim e que eu confio totalmente em você, mas reconheço o que você representa para nós e para a Acrópole. E se quiser fazer isso funcionar, eu não serei a pessoa que vai tentar te derrubar. Entretanto, não espere ocupar essa sala e esse título sem merecê-los.

Vitório girou o copo na mão. O gelo tilintou, seus olhos estavam cravados nos do irmão.

— Só estou aqui porque foi um pedido do nosso pai. Não se preocupe quanto à presidência, porque todos nós sabemos que não há ninguém mais preparado para isso do que eu. – ele observou o maxilar cerrado do irmão, e reprimiu a vontade de rir cinicamente. – Mas não se preocupe, não pretendo arrancá-lo dessa cadeira de maneira indulgente, nem mesmo desejo ela de volta.

— Mesmo que pretenda, não vou deixar que pise um centímetro fora da linha. — Ícaro reafirmou, se inclinando para frente com um olhar mortal. — Agora, vamos as suas funções. – Ele se encostou novamente em sua cadeira alta como um trono. - Você vai liderar as negociações exteriores. Vai se encarregar das aquisições estratégicas, principalmente as internacionais com as quais você tem mais afinidade. Quero sua inteligência, sua agressividade, sua frieza, a versatilidade que demonstra em negociações delicadas, e o dinamismo que demonstra ao lidar com os estrangeiros. – Ícaro girou na cadeira, e se levantou, e caminhou até a janela com o seu copo. - Sem escândalos, sem erros, sem falhas. A empresa ainda está se recuperando do golpe da Rosentown, tudo é muito delicado, e a diretoria estar inteira nas mãos do Grupo Drumond gera instabilidade para nós.

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