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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 17

— O que diabos você está fazendo aqui, sua maldita? — rosnou entre dentes, a voz baixa e ameaçadora.

Astrid sorriu. Um sorriso lânguido, sedutor, como uma serpente que se enrola em volta da presa antes de injetar veneno. Ela parecia confiante em seu poder de envolvê-lo.

— Fiquei curiosa. Queria ver com meus próprios olhos essa sua noivinha angelical. Que surpresa decepcionante... ela parece tão frágil demais. – Astrid levou a mão ao rosto dele, mas Vitório se esquivou de seu toque. – Essa mosca morta nunca vai te fazer sentir o que sente comigo. Ela nunca vai te fazer feliz, não vai te dar prazer como eu. E nem mesmo será capaz de dizer se está gostando ou não de seu toque no corpo dela.

O maxilar de Vitório travou, as veias do pescoço se destacaram, pulsando como fios elétricos. Seus olhos estavam escuros quase negros, uma tempestade prestes a desabar e consumir tudo. Ele pressionou ainda mais o corpo contra o dela, prendendo-a com fúria contida. Sua vontade era torcer o pescoço dela.

— Não ouse falar de Lucila. Sua boca não é digna de proferir o nome dela. – as sobrancelhas de se uniram, suas pupilas estremeceram, buscando controle para não agredi-la. - Você está ultrapassando todos os limites, Astrid. Já deixei claro que não existe mais nada entre nós desde que você traiu a minha confiança e roubou minha família. Eu não vou te avisar de novo. — cuspiu as palavras com desprezo.

Ela manteve a pose, mas seus olhos brilharam com lágrimas falsas. A encenação de sempre. A mulher abandonada, ferida. A amante traída. Ela já tinha praticado esse número inúmeras vezes desde que ele a deixou naquela noite onde ela confessou causar a ruína da família Darius.

— Você me prometeu um futuro, Vitório. Você me deu isso — ela levantou a mão, mostrando o anel de noivado que ele lhe deu três anos antes. — Eu nunca tirei. Nunca. O seu futuro é comigo, ao meu lado. Nosso amor não pode acabar por causa dessa sua atitude inflexível. Ninguém vai te amar e ser para você o que eu sou.

Ele riu. Um riso amargo, escuro e perigoso.

— Você não passa de uma vadia golpista. Se eu te pegar perto da Lucila de novo... você vai pagar caro por isso. Não teste a minha paciência, porque você sabe que eu não brinco quando se trata do que é meu.

Astrid perdeu o sorriso. As lágrimas escorreram, banhando seu rosto maquiado, agora talvez verdadeiras. O orgulho ferido dilatava suas narinas. A humilhação faiscava em seus olhos.

— Eu te amo, Vitório. Você é o único homem que eu amei de verdade! Você não pode me abandonar, e fingir que nada do que tivemos foi real. – Astrid fungou, e tentou tocá-lo de novo. Vitório deu um tapa na mão dela, seus dentes trincados de raiva. - Se acha que vai me descartar... se acha que vai ficar com ela e fingir que eu não existo... você vai se arrepender! Eu juro que vai!

Ele agarrou o braço dela e a puxou bruscamente, arrastando-a em silêncio pelo corredor lateral até a porta de saída de emergência. A cada passo, seus ombros tremiam, a respiração acelerada, os punhos cerrados. Ele era uma bomba prestes a explodir. Essa maldita serpente traiçoeira!

Ao empurrá-la para fora, sua voz saiu grave, carregada de ódio.

Porque Lucila era luz, ela era um ser iluminado.

Ela sorriu para ele devagar, um sorriso pequeno, cheio de timidez, mas genuíno. Um gesto singelo que cortou as trevas que ainda atormentavam seu interior, como uma espada de luz.

E foi como se toda a escuridão que habitava dentro dele, se escondesse diante dela. Vitório sentiu algo inédito e surpreendente, o peito inflando, o coração pulsando devagar, como se reconhecesse que estava diante de alguém que poderia transformar seu mundo.

Ela era seu anjo.

A âncora que o mantinha na sanidade, a única pura o bastante para fazer dissipar todas as tempestades, a que era digna de seu sobrenome. Ele estendeu a mão para ela, e ela, sem hesitar, entrelaçou os dedos nos dele.

Ali, naquele gesto silencioso, ele soube que mesmo sendo um ser de luz, ela ainda é mais perigosa do que Astrid com toda a sua astúcia e ousadia. Porque bastava sua presença, seu olhar, para fazê-lo se esquecer completamente de quem ele realmente era quando a noite caia e a necessidade por prazer o consumia.

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