Vitório
Vitório estacionou o carro diante do Instituto Mãos Ativas com uma expressão impassível, mas por dentro, seu sangue fervia em uma temperatura perigosa. Ele não planejava vir até aqui, mas o segurança de Lucila informou que uma mulher com a descrição que ele deu estava no prédio do Instituto.
Ao saber que Lucila seria sua noiva, ele deixou um homem de confiança responsável pela segurança dela, já prevendo o que poderia acontecer. Hermes sabia que havia alguém protegendo sua filha, ele foi o único a quem Vitório contou sobre esse arranjo.
Desde que soube que Astrid estava ali no instituto, algo em sua mente disparou como um alarme gritante, daqueles que nunca falham. Essa não era uma mera visita, isso era mais um dos jogos dela, e possivelmente o seu intuito era acabar com seu noivado com Lucila.
Ele entrou sem ser anunciado, A recepcionista tentou interceptá-lo, mas apenas seu nome sussurrado foi o suficiente para ela recuar com um aceno constrangido. A família Darius era uma das maiores patrocinadoras desse lugar, pois Ícaro estava envolvido nesse projeto até o pescoço.
Seguiu pelos corredores até as salas de atividades padronizadas. Essa não era a primeira visita dele ao prédio, também esteve presente na inauguração. Ao alcançar a porta envidraçada, viu Lucila sorrindo com doçura para uma garotinha que pintava com guache. Era uma cena terna, de bondade... de pureza.
Tudo o que Astrid jamais seria.
O humor de Vitório mudou rapidamente quando viu Astrid vindo pelo corredor acompanhada de uma mulher de meia idade. Uma massa gelada percorreu o corpo dele.
Olhar para aquela mulher provocava uma série de sensações desagradáveis, mas o que mais predominava era a sensação intragável de asco e ódio. Como uma serpente envernizada em glamour, loira, alta, com os olhos verdes faiscando arrogância, ela se aproximou da sala onde Lucila estava com seus alunos.
Ele pensou em interrompê-las, antes que Lucila saísse, mas não seria inteligente, pois Astrid era imprevisível, e a mulher que a acompanhava certamente contaria a sua noiva o que aconteceu.
Vitório pensou que poderia observar de longe, ver o que ela pretendia, e interceder por Lucila caso fosse necessário. A pose dela, o perfume doce e invasivo chegou até suas narinas, e a única coisa que conseguiu sentir foi náusea. Imagens dela colada em seu corpo causaram um verdadeiro turbilhão dentro dele, indignação pela a astúcia dela, ira pela traição, a fúria por ter deixado que seus sentimentos o envenenassem para não ver a verdade.
Astrid sorriu cínica, tudo em Vitório clamava por repulsa. Ela estava provocando Lucila nesse momento, disso ele tinha certeza. A distância ele conseguia compreender perfeitamente o que era dito, e a frieza espetou seu interior dolorosamente.
Vitório caminhou em direção a elas, revelando sua presença atrás da porta que levava ao pátio externo.
A mão de Vitório apertou os ombros de Lucila com mais firmeza. Ele sentiu a tensão dela naquele momento, e se curvou levemente para falar em seu ouvido.
— Princesa, pegue suas coisas. Vamos jantar juntos.
Vitório fulminou aquela mulher sem vergonha enquanto estava mais próximo de sua noiva. Astrid não deveria ter dúvidas sobre a legitimidade desse casamento, porque se isso acontecesse, ela não deixaria Lucila em paz.
Portanto, ele faria tudo o que pudesse para que ela acreditasse que ele estava casando porque tinha sentimentos por sua noiva, e não por causa de um acordo financeiro. Proteger Lucila dessa mulher era a prioridade agora.
A noiva assentiu com ternura e confiança, fez um gesto para Rosana, e ambas se afastaram pelo corredor. Quando ela desapareceu no fim do corredor, ele girou nos calcanhares e encurtou a distância entre ele e Astrid em três passos largos.
Sem uma palavra, a prensou contra a parede fria do corredor, uma das mãos sobre o ombro dela, a outra ao lado da cabeça, formando uma jaula. O rosto dele a milímetros do dela. Sua raiva se propagando em todas as direções.

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