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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 19

Lucila se voltou para os dois irmãos mais novos, naquele momento ela só queria se esconder do mundo. Se Felipe estivesse vivo, certamente ele concordaria que isso era culpa dela.

- Vamos, querida. – Ícaro chamou, pegando a mão gelada dela para conduzi-la para fora. – Ei, o que foi?

Conforme saiam para o jardim, Alberto simplesmente desapareceu, depois de se despedir com alguma de suas piadas de humor negro que Ícaro detestava. Ele não gostava de lidar com mulheres à beira do choro, e certamente percebeu que ela faria exatamente isso. De novo.

“Não é nada.” Ela finalmente respondeu, quando chegaram ao jardim bem cuidado, iluminado por luzes cálidas.

Ícaro se sentou com ela em uma das mesas de bronze, ladeada por um caramanchão repleto de flores azuis perfumadas. Uma das empregadas serviu o café maltado para ela, e um expresso puro para ele. Eles agradeceram, e assim que a funcionária se afastou, ele olhou para ela esperando que falasse.

Mas Lucila não queria falar sobre aquele incomodo. Bebericou o café em silêncio. Falar sobre aquela sensação de ser a causa das discórdias por onde passava, era como admitir que ela era essa pessoa horrível. Não queria se sentir miserável novamente, daquela forma que se sentiu quando aquela coisa pavorosa aconteceu. Não queria mais uma vez transformar o ombro de seu melhor amigo, em um berço de lágrimas.

- Lucy. Não faça isso com você mesma. Sabe que eu não posso deixar de me preocupar com você.

Sem cerimônia, ele se levantou, e se sentou ao lado dela, abraçando seus ombros encolhidos.

- Você está tremendo, querida. – as lágrimas que ela esteve represando, finalmente transbordaram. Ícaro acomodou a cabeça dela em seu ombro, como sempre fazia.

Ela chorou copiosamente. Tudo o que aconteceu na mesa era culpa dela, se não tocasse naquele assunto, Vitório não teria se irritado, e agora não estaria pensando que ela era uma mulher imatura e irresponsável.

- Se sente melhor? – Ícaro perguntou, depois de alguns minutos.

“Sim, obrigado Ikki.” Ela respondeu, o chamando pelo apelido de infância.

- Faz tempo que não me chama assim. – ele sorriu levemente. – Agora me diga, o que está havendo, Lucy.

“Acho que irritei o Vitório, sem perceber. Eu não queria que ele pensasse que eu não sou capaz de assumir responsabilidades.”

- Está se preocupando demais, querida. – Ícaro afagou as costas dela, como se ainda fosse aquela criança que tinha crises de choro quando era maltratada pelas outras. – Você sabe quem você é. Sabe o quanto preza pelo seu trabalho, e a importância que ele tem na vida dos seus alunos. Com o tempo, meu irmão vai entender o que isso significa para você.

- Não foi isso que eu quis dizer, querida. – Ícaro segurou a mão dela levemente. – Você é livre para amar e ser feliz com quem quiser, e eu sempre vou te apoiar nas suas escolhas. Mas não posso deixar de me preocupar, porque você está entrando com o seu coração nesse relacionamento, e eu não sei se vai ter retribuição nisso tudo.

“Não sou tão boba a ponto de acreditar que ele gosta de mim. Eu sei que sou só uma pirralha mimada para ele.” Lucila sorriu confiante, e girou o anel de noivado da cor de seus olhos, no dedo anelar. “Mas se eu for paciente, posso fazer ele se apaixonar por mim depois do casamento.”

- E se isso não acontecer? – ele perguntou, levantando o queixo dela levemente. – Está preparada para esse cenário?

“Fala como se eu fosse incapaz de despertar o desejo de um homem. Eu não sou tão sem graça assim, sou?” ela perguntou com certa mágoa.

- Não se trata disso. Meu irmão é muito mais velho que você, ele está acostumado a mulheres que são ousadas, atrevidas e que não tem muito pudor. – Ícaro se calou repentinamente, como se ocultasse parte do que queria dizer. – Enfim, você não é assim, querida. É delicada, feminina, tímida e encantadora. E mesmo que você tenha o poder de fazer qualquer homem ficar louco por você, eu não acho que...

- O que foi que você disse?

Lucila ficou chocada quando a figura alta saiu das sombras de um dos pilares de mármore. O rosto contraído de Vitório fez Lucila se encolher. Ele ouviu tudo? Até sobre ela amá-lo? “Oh meu Deus!” ela pensou em desespero.

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