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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 20

Vitório

Seu olhar travou na mão de Ícaro acariciando as costas de sua noiva. Não devia se importar com isso, não devia sequer pensar nisso, mas ali estava. Uma raiva intensa, borbulhando a superfície.

Ícaro não tinha o direito de tocá-la.

Estava pensando em como deixaria isso claro para o seu irmão, quando ouviu as seguintes palavras dele, sobre o poder de sedução de Lucila. Basicamente ele admitiu que se sentia atraído por ela.

- O que foi que você disse?

Vitório ficou petrificado à sombra do pilar de mármore que sustentava a saída para o jardim. Não era do seu feitio ouvir conversas alheias, mas aquela voz num tom tão intimista, cheio de cuidado e carinho. E o nome dela, que Ícaro pronunciava com tanta doçura, acendeu todos os alertas dentro de Vitório como uma explosão silenciosa.

“Ela precisa de alguém que a entenda de verdade. Alguém que a veja além da imagem de menina pura e frágil. Alguém que não a coloque em uma redoma de vidro...” dizia Ícaro da última vez em que se falaram.

O sangue de Vitório ferveu.

O copo de uísque que segurava estalou em sua mão tamanha foi a pressão de seus dedos ao redor do cristal. Seus olhos, outrora tão calculadamente impassíveis, tornaram-se tempestades mal contidas. O ciúme irrompeu como um incêndio descontrolado, se projetando por sua garganta, seu peito, suas veias.

Aquele maldito paladino da moral, o irmão mais novo que sempre o seguiu como sombra, agora ousava desejar a sua noiva. A sua mulher.

Vitório nunca havia sentido nada semelhante. Era mais do que raiva, era um ódio cego, primitivo, ancestral. Como se um território marcado por ele estivesse sendo violado. Invadido por um homem que ele sempre respeitou e amou como irmão.

Lucila era sua.

Sua noiva. Em breve seria sua esposa.

E mesmo que fosse só no papel, ela não era um troféu para o irmão testar sua sensibilidade. Não um meio para medir forças com ele.

"Alguém que a entenda?" Ele ouviu isso? Alguém que a entenda...?

Vitório caminhou lentamente em direção a eles, o peito arfando como se tivesse corrido uma maratona. Os punhos cerrados até os ossos estalarem. Sentia-se envenenado. Enlouquecido. Corroído por essa chama traiçoeira, que tomava tudo agora.

Seu impulso imediato foi esmurrar a mandíbula do irmão até que cada dente caísse um por um. Fazer Ícaro sangrar, se ajoelhar e pedir perdão por sequer pensar na possibilidade de tocar Lucila com qualquer intenção que não fosse fraterna. Mas isso não era uma atitude racional, e esse impulso só provava que estava sentindo borbulhando dentro de si, aquele sentimento possessivo, perigoso; era algo que nunca tinha experimentado.

Ciúme.

Capítulo 20 Ciúme 1

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