Lucila
O vento gelado cortava o rosto, balançando seus cabelos. A noite estrelada era uma obra de arte, e ela a admirou com um leve sorriso nos lábios.
Sabia que não deveria estar no jardim àquela hora da madrugada. Deveria estar dormindo, porque o amanhecer traria o dia mais importante de sua vida. O dia de seu casamento.
Mas a insônia, sua companheira implacável, novamente não a deixou descansar. Lucila sofria com esse mal desde quando Felipe morreu, naquela noite de verão terrível.
Ela esfregou o rosto para espantar aqueles pensamentos.
Já tinha muito com o que se preocupar.
Após aquela cena na piscina dos Darius, ela e Vitório não se viram mais. Ela tentou falar com ele umas três, mas ele sempre estava muito ocupado, agilizando as coisas na Acrópole para poder viajar em lua de mel.
Vitório tinha acabado de voltar para a holding, provavelmente está cheio de trabalho e com prazos apertados. Lucila compreendia que não devia exigir atenção dele nesse momento, entendia que a situação dele era bem tensa e complicada junto à Acrópole.
Mas não podia negar que pensou em várias formas de falar com ele sobre o que aconteceu na piscina.
Pular atrás dele na piscina foi uma estupidez, tinha que admitir. Os Darius nadavam desde muito jovens, e o seu noivo era um exímio nadador. Só que essa compreensão fugiu de sua mente quando ele afundou na piscina, e o instinto de salvá-lo.
Lucila girou o anel de diamante azul que refletia a luz do luar.
Queria se desculpar por protagonizar uma cena tão patética, e acabar gerando problemas entre ele e o pai. Otávio estava irado quando Vitório saiu da piscina com ela nos braços, ela ficou tão constrangida pelo que seu futuro sogro e seu melhor amigo viram, que nem mesmo quis esperar suas roupas secarem.
O caminho de volta para casa foi silencioso e estranho. Ele a envolveu em um roupão quente e a acomodou em seu carro esportivo, sem dizer uma palavra. Era evidente que ele estava zangado por ter sido repreendido, e ela não quis forçar qualquer comunicação.
Até porque, seu noivo não entenderia uma palavra que dissesse em Libras.
Quando chegaram à casa dela, ele se desculpou com uma expressão séria e carregada, e em seguida foi embora, a deixando na porta de sua casa. Ele mal tinha virado as costas, e ela já estava sentindo falta de sua presença, de seu calor, de seus braços fortes em torno do corpo dela. Da boca máscula, exigindo a abertura da dela, a ensinando o que era um beijo de verdade.

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