A manhã fresca de outono amanheceu mais iluminada naquele sábado de junho. Lucila olhou pela janela de seu quarto, com um sorriso feliz brincando em seus lábios. Até a natureza parecia celebrar seu casamento.
Amanda entrou em seu quarto, ela estava nervosa já logo de manhã. Lucila sorriu ainda mais quando ela nem disse bom dia, e já foi listando a infinidade de coisas que deveriam ser feitas antes de partirem para o local da cerimônia.
Ela correu até Amanda e a abraçou beijando seu rosto com carinho. Depois se afastou levemente e disse.
“Mamãe, calma. Vai dar tudo certo, respira tá?” Amanda encontrou seus olhar e viu as marcas da noite insone.
- Como você quer que eu fique calma?! – sua mãe segurou seu rosto, sua expressão zangada. – Se você nem mesmo fez a única coisa que eu te pedi, filha?! Olha para o seu rosto, cheio de olheiras e fadiga. Ah meu Deus! Eu deveria ter ficado com você a noite passada, mas seu pai disse que não era necessário. Mas eu deveria ter seguido o meu instinto, seu pai não entende nada de casamentos.
“A maquiagem vai disfarçar isso, fica calma.” Lucila sorriu, caminhando em direção ao banheiro para tomar um banho.
Uma batida na porta a deteve, no entanto. A voz de Mila, a empregada mais antiga dos Drumond, veio do outro lado.
- O que houve, Mila? – perguntou Amanda.
- A menina ganhou um presente, madame. – ela era uma senhora afável com um jeito muito respeitoso de conversar, mas que amava a família Drumond como se fosse sua própria.
- Pode entrar. – Disse sua mãe.
A porta se abriu suavemente, e naquele instante os olhos de Lucila transbordaram, pois Mila estava totalmente oculta atrás de um enorme buquê com centenas de rosas azuis e amarelo pálido, distribuídas para lembrar a Noite Estrelada, a obra mais famosa de Vincent Van Gogh.
Era a coisa mais sensível, mais doce e mais linda que alguém já fez por ela. Porque essa era uma de suas obras preferidas, a que fazia seu coração suspirar leve, na esperança de paz novamente.
- Olha menina, o que o seu noivo mandou. – Disse Mila, carregando o imenso arranjo até Lucila.
- Oh meu Deus, que gesto mais tocante. – Amanda levou as mãos a boca. – Eu não imaginava que Vitório fosse capaz de tamanha sensibilidade.
Lucila recebeu o buquê, seus olhos se fecharam vertendo lágrimas quentes. O cheiro das rosas a envolveram, o rosto de Vitório surgiu em seus pensamentos. Ele se lembrava de tudo o que ela um dia demonstrou qualquer afeição, ele era o homem que a partir de hoje se tornaria seu esposo, seu companheiro, seu único amor.
Abraçou as flores como se abraçasse Vitório, como se nesse momento ela traduzisse todos os seus sentimentos naquele abraço.
- Pare de chorar, filha. Seu rosto vai ficar inchado além de estar todo marcado pela fadiga. – Amanda disse, mesmo com a voz embargada de emoção.


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