Vitório
O som das ondas quebrando contra os rochedos um pouco mais ao longe, ecoava como um murmúrio constante, abafado apenas pelo som elegante e comedido da equipe de cerimonialistas organizando o espaço elegante onde, em poucas horas, Lucila entraria para se tornar oficialmente sua esposa.
Vitório observava tudo de sua suíte presidencial no Magic Garden, um dos lugares mais exclusivos e inacessíveis do litoral paulista, onde só a elite brasileira poderia pôr os pés. Esse não era um lugar para eventos comuns, era um lugar para casamentos, e festas luxuosas, onde a equipe mais preparada do país oferecia a realização de sonhos a noivas, e noites inesquecíveis a figurões do poder que gostavam de dar festas suntuosas e bailes de máscaras.
O local era um patrimônio histórico restaurado, ficava em uma ilhota, cujo acesso era feito de iate ou de helicóptero. Um castelo vitoriano imponente, uma réplica perfeita do estilo renascentista europeu, rodeado por jardins geométricos de inspiração francesa, lagos artificiais com cisnes brancos, e um heliporto anexo à pista de pouso particular que recebia as aeronaves da elite nacional e internacional.
O interior do castelo exalava opulência e em bom gosto. Tapeçarias renascentistas, candelabros de cristais importados, piso em mármore branco e dourado, obras de artes raras, cozinha equipada com uma equipe cinco estrelas Michelin, e decoração clássica e elegante. Suas suítes eram palacianas, com móveis Luiz XV entalhados em nogueira escura, lençois egípcios, cortinas pesadas em veludo marinho e dourado, esculturas em marfim, espelhos cravejados de joias e closets repletos de alta moda parisiense.
Vitório não se importava com tanto luxo.
Na verdade ele preferia uma cerimônia simples e íntima, como foi a festa de noivado.
Mas, se tratava do casamento de dois herdeiros de grandes sobrenomes desse continente, e obviamente suas famílias não se contentariam com menos que isso.
Entretanto, ele estava com o olhar fixo no lugar mais belo do que esse castelo cheio de luxo. O penhasco.
O casamento ocorreria ao ar livre, como Lucila sonhou, um altar circular construído sob medida na ponta do penhasco mais alto, com a vista direta para o mar. Os arquitetos do Magic Garden o chamavam de “O Arco do Horizonte”. O mar infinito era o pano de fundo. E o sol, que começaria a se pôr justamente no momento dos votos, foi parte estratégica do cronograma.
Vitório observava tudo da enorme janela arqueada de sua suíte, sentado em uma poltrona de couro grafite, com um charuto cubano, entre os dedos. Não era fumante, mas gostava de charutos quando precisava pensar. E agora, era um momento em que precisava muito.
Lá embaixo, os floristas terminavam de fixar as rosas brancas inglesas, peônias peroladas e orquídeas holandesas ao redor do altar. Colunas de mármore ladeavam o corredor onde Lucila caminharia, cada uma com um arranjo circular digno de um desfile imperial.
As cadeiras estofadas em veludo champagne estavam perfeitamente alinhadas em dois blocos simétricos. O corredor era revestido com pétalas pálidas, uma passarela de seda branca seguindo até o altar.
Tudo estava perfeito. Tudo, menos ele.
Aquilo ali era um cenário ideal para a princesa se casando em seu lindo conto de fadas. Mas ele não era um príncipe. Estava longe de ser um.


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