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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 47

Vitório

O som da chuva forte castigando o metal que revestia o carro em uma sinfonia caótica que se misturava aos acordes da melodia da opereta n°33 de Brahms.

As ruas estavam caóticas como sempre, mas ele só pensava em seu destino final. A casa que dividiu com sua belíssima esposa por vários anos. Todas as semanas, ele ansiava pelo momento em que jantariam juntos, porque pelo menos por uma ou duas horas, tinha Lucila perto dele.

Ela sempre o esperava por volta das oito. Se vestia com a elegância clássica, que era sua marca registrada agora, e seu perfume o recebia assim que cruzava a entrada da casa.

Vitório olhou para as imagens borradas que as luzes da cidade que a chuva produziam, como um vitral abstrato de cores vivas. Mais uma vez colocaria seu autocontrole à prova, e o caráter também. Afinal de contas, só um mal caráter maldito seria capaz de se aproveitar da doce inocência de Lucila.

Os acordes graves se intensificaram, quando ele entrou no Alphaville Park. As ruas bem iluminadas e as fachadas opulentas o receberam familiarmente. Ao chegar em sua casa, ele sentiu seu corpo se retesar como sempre acontecia assim que cruzava os portões.

Ver Lucila uma vez por semana, se tornou um evento, e muitas vezes ele agia de maneira incoerente porque não sabia mais como ficar perto dela sem dar vazão a sua vontade.

Ele pegou o buquê de rosas azuis, e saiu do seu novo Mustang.

Estranhamente, a casa estava mais quieta e apagada do que de costume. As luzes da marquise estavam acesas, mas a do hall estava apagada, e a da sala de jantar também.

“Aconteceu alguma coisa com ela?” Ele se perguntou, já galgando as escadas rapidamente. Retirou as chaves do bolso e abriu a porta, adentrando esse lugar que se tornou solene para ele.

Os empregados não moravam aqui, mas Mila, a velha governanta que cuidou de Lucila desde a infância, dormia em um dos quartos dos fundos, no primeiro andar.

Apesar de não gostar de Vitório, ela sempre agia de modo profissional, e nessas ocasiões, era sempre ela quem abria a porta. Mas nem mesmo aquela velhota rabugenta estava por ali.

As luzes se acenderam com sua presença, e ele abandonou o buquê sobre o aparador que levava a sala de estar. Não havia sinais da presença de Lucila, e nem o cheiro convidativo de suas refeições apetitosas.

- Lucila... – chamou, sentindo seu peito se apertar.

Não houve resposta ou qualquer movimento, então ele marchou para a escada em caracol que levava ao segundo andar, onde ficavam as suítes, e dois estúdios. Seus passos rápidos cobriram o corredor à direita em um piscar de olhos.

A porta estava fechada, mas ele levou a mão à maçaneta mesmo assim. A cada segundo que passava, seu coração retumbava dolorosamente temendo pelo que poderia ter acontecido.

Mas antes de abrir a porta, ele ouviu resmungos, e o som de membros se debatendo. Sua imaginação foi a mil, e o pior pensamento dominou seus sentidos.

Ela estava sendo atacada!

Em menos de um segundo ele já estava dentro do quarto, sem nem saber como a porta trancada se abriu. Na penumbra do ambiente, ele viu um emaranhado lutando sob um lençol de seda. Correu para a cama e arrancou o tecido sentindo seu corpo pronto para matar o que quer que estivesse tentando fazer mal a sua esposa.

Entretanto, não havia nenhum criminoso.

E a cena que se desenrolou em sua frente, cortou seu peito como uma espada afiada.

Capítulo 47 O jantar semanal 1

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