Lucila
Os olhos dela estavam paralisados em Samanta.
As últimas palavras de sua amiga ainda não tinham penetrado em sua compreensão.
- Acho que é melhor você ser mais direta, Sam. – Mel interrompeu o transe. – Lucy está mais perdida do que cego em tiroteio nessa conversa.
Sam jogou os cabelos longos para trás, fazendo seus brincos brilharem à luz do sol, se empertigando na cadeira com um sorrisinho travesso.
- Ai como vocês duas são lerdas. – ela acusou, com um tom de superioridade. – O que eu disse é exatamente o que parece. O Vitório tem várias fotos da Lucila guardadas em uma gaveta trancada do escritório. E.. Aíííí!
Amélia deu um tapinha no braço da prima, o que fez Lucila quase engasgar com o chá, pelo riso. Mel e Sam eram assim, espontâneas, autênticas, e incríveis. Todos diziam que elas mudariam quando se casassem com os outros dois irmãos Darius, mas elas permaneceram as mesmas. A essência de ambas, nunca mudou.
Apesar de serem donas de um império, elas gostavam de programas simples em que reuniam a família e aprontavam com os maridos e filhos.
- Seja direta! Mais que coisa. – Mel ralhou, pegando um copo de suco de mirtilo. – Que tipo de fotos eram? Alguma em que a Lucy estava no banho ou de lingerie?
O rosto de Lucila entrou em combustão com aquela pergunta.
“Do que estão falando? O Vitório me despreza...ele....” ela começou, seu corpo queimando de vergonha.
- Olha o que você fez?! – acusou Sam, dando tapinhas de consolo na mão de Lucila. – Não ligue para ela, essa louca esquece que você é inocente ainda.
“Inocente? O que isso quer dizer? Eu sou casada há dez anos.” Pontuou Lucila com uma pitada de orgulho.
- Ela quer dizer que você é virgem, querida. – Mel concluiu, com um sorrisinho. – Você pode ser casada, mas ainda não sabe muitas coisas sobre....
“Sobre o que?” perguntou confusa.
- Sobre as artes do prazer a dois, minha cara virgenzinha. – Sam terminou de explicar.
Lucila olhou de uma para a outra, com o ar preso nos pulmões, e uma expressão que denunciava toda a sua inexperiência.
- Deveria ficar de boca fechada, Sam. Toda vez que você fala, a Lucy fica parecendo um pimentão.
“Eu...eu não acho que seja uma boa ideia.” Ela respondeu, a lembrança da noite de núpcias trouxe um gosto amargo a sua boca. “Ele não suporta a minha presença, já saiu de casa para não ter que me ver. Apesar de eu amá-lo com todo o meu coração, o Vitório me despreza”
- Você tem razão, Lucy. – concordou Mel. – E eu não acho que tentar seduzi-lo fará ele se arrepender do que fez. Acho que precisa mostrar para ele que você seguiu sua vida sem ele, dar um choque de realidade, entende?
“Mas eu não quero seguir com a minha vida sem ele.” Ela responde com os olhos marejados. “Sei que pareço patética, mas eu não suporto a ideia de perdê-lo.”
- Então faça ele pensar que te perdeu. – disse Sam. – O que a Mel propôs é uma boa ideia. Se você passar a viver como se a presença dele não existisse, ele vai perceber a besteira que fez todo esse tempo, e vai voltar atrás.
“Como eu vou fazer isso? Com exceção das comemorações em família, a única ocasião em que nos vemos, é o jantar semanal que faço aqui em casa, e por insistência minha.”
- Toda semana ele vem jantar aqui? – Amélia perguntou, totalmente interessada na situação.
“Sim. Eu faço o jantar, ele chega, comemos sem nenhum diálogo, ele toma vinho e me pergunta se preciso de alguma coisa. Ele me pede para levá-lo até a porta, e aí vai embora.”
- Perfeito! – exclama Amélia. – Ouça bem o que você vai fazer no próximo jantar....
Mal Amélia começa a contar o seu plano, e Lucila já está de boca aberta, pensando em como fará aquilo. Ela vai ter coragem?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Muda do CEO