Vitório
- Por que está olhando para a Lucila como um maníaco obsessivo? – Alberto perguntou, se aproximando.
Ícaro e as crianças estavam se preparando para entrar na piscina, e aparentemente o seu irmão mais novo, não iria deixá-lo em paz.
- Não vai entrar na piscina com a sua filha? – Vitório perguntou, ignorando a pergunta.
- Ela nada desde que tinha meses de vida, e está com o tio dela que adora crianças. Se fosse você lá dentro. – ele apontou a enorme piscina com o polegar. – Eu já estaria lá dentro com ela.
Vitório levantou uma sobrancelha, o encarando com cinismo. Alberto adorava provocar nele tudo o que era ruim. Raiva, desconforto, ira, irritação.
Desde que a Acrópole caiu há treze anos, sob o controle de Vitório, seu irmão mais novo inverteu totalmente seus sentimentos por ele, e aparentemente, nunca voltariam a ficar receptivos e harmoniosos.
Vitório se sentou em uma das poltronas da sala de bilhar semi aberta, ele não via a hora de ficar a sós com sua princesa de novo. Seu olhar buscou o dela de novo, mas elas não estavam mais na sala de estar.
Onde diabos Amélia tinha levado sua mulher?
- Você não está conseguindo manter a sua máscara hoje. – Alberto comentou, se servindo de gin e oferecendo um copo para ele.
Aceitando a bebida, ele cruzou as pernas inquieto. Perdê-la de vista incomodava, aqui não havia câmeras que ele pudesse usar para ver seus passos suaves, e nem observá-la em seus momentos de introspecção.
Essa era a casa de Ícaro, onde ela se sentia à vontade, onde ela poderia se esconder dele.... e desaparecer de sua presença.
- Ela não quer assinar o divórcio. – Vitório soltou de repente.
Alberto não era a pessoa mais indicada para uma conversa desse nível. Mas mesmo que o irmão desconfiasse dele em tudo, era o único que poderia chegar perto de compreender as sombras na qual Vitório vinha vivendo.
- Deveria comemorar por isso. Pedir o divórcio foi a decisão mais estúpida que você já tomou, desde que se casaram. – Alberto pegou um taco e o preparou para a acertar a bola na mesa. – Não sei por quanto tempo pretende continuar afastando a sua mulher dessa maneira, mas deve se preparar para o momento em que ela casar disso e decidir se livrar de você.
Vitório virou o copo de gin, e se levantou, decidido a jogar também.
Seu rosto colérico a centímetros do irmão louco para acabar com aquela expressão cínica de seu rosto.
- Vamos, comece uma briga bem aqui na frente das crianças. Eu vou adorar ver a sua doce esposinha te olhar como se você fosse um monstro. Porque é exatamente isso que vai acontecer quando ela ver você agindo com violência na frente dos seus sobrinhos.
Vitório o empurrou para longe, jogando o taco na direção dele. Esse maldito infeliz!
Alberto riu de sua atitude.
- Você achou de verdade que a gente não sabia que você nunca consumou o seu casamento com ela?! – Alberto arrumou sua camisa e pegou o taco do chão. – Tem razão em achar que deveria ficar longe da Lucila. Ela vai ficar bem melhor quando encontrar um homem de verdade que vai ensinar a ela o que é ter prazer na cama.
Vitório se manteve em silêncio por um instante, com os punhos fechados ao ponto dos nós dos dedos empalidecerem. O coração golpeava dentro do peito como uma besta enfurecida, e sua mente se dividia entre a vontade socar a cara do irmão até que o sorriso cínico desaparecesse de seu rosto, e a súbita imagem de Lucila, com aquela camisola cor de rosa transparente, se derretendo em seus braços com o rosto molhado de lágrimas.
E foi nesse instante que a verdade veio como um soco no estômago.
Ele poderia viver com a ausência dela? Poderia simplesmente abrir mão de seu anjo, da sua princesa de beleza incomparável?

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